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Hoje é assim

26 de fevereiro de 2026 às 10 h47
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Hoje vou começar invertendo o primeiro parágrafo do texto que aqui deixei há semanas. Fica assim: este texto não é sobre a Escola.

Adivinharam, é isso mesmo, sobre as cheias, as árvores caídas, as famílias que viram os seus parcos haveres (ou nem por isso parcos, que a tempestade quando vem não escolhe grupos sociais ou económicos) destruídos, as lágrimas que todos pudemos constatar nos rostos de quem tem amor ao que construiu.

Aquando das cheias na região de Lisboa, em 1967, era eu oficial miliciano cumprindo o serviço militar obrigatório exatamente em Leiria, terra que desta vez foi chamada a sofrer a intempérie. E recordo o que nunca poderei esquecer. Na sala de oficiais alguns de nós falávamos sobre a situação em Lisboa e o apoio que lá se precisava, quando entrou um oficial superior que nos “informou” que as cheias não tinham sido assim tão grandes e não havia razão para falarmos disso. Ponto final, disse. Era novembro e cerca de 700 pessoas perderam a vida, lembram-se?

Desta vez todos soubemos e vimos a tragédia, os presidentes das câmaras que terão passado noites e noites em branco, a luta para que não houvesse vítimas ou que, a haver, fosse o mínimo possível, os momentos de solidariedade de quem veio do Norte, carrinhas carregadas com o que poderia ajudar a sentir menos o sofrimento, mãos generosas a assentarem telhas ou a estenderem lonas. Mesmo em momento tão doloroso houve quem se quisesse dele aproveitar, fazendo de conta que ajudava só para ser visto nas televisões. Mau carácter, é o que de facto ele tem.

Ah! E as escolas a servirem de pontos de apoio às populações, de dormitórios improvisados, de refeitórios onde se comia uma sopa quente ou uma massa que enganasse a fome porque, verdadeiramente, ninguém tinha vontade de engolir o que quer que fosse nem condições de cozinhar .

Diria o oficial superior de que falei mais acima que tudo conversa, tudo coisas das esquerdas que querem é derrubar o estado novo (que estava mais do que velho, digo eu, que o oficial não seria capaz disso).

Uma educação para uma cidadania responsável, solidária, capaz de fazer perceber aos mais novos, aos do meio, aos assim-assim e aos velhos que neste mundo só vale mesmo a pena viver se nos entendermos e se formos capazes de ajudar quem precisa e quando precisa. É a democracia, os valores, o mundo melhor.

E depois temos as alterações climáticas que nos ajudam a perceber o que isto foi, que o louco que está à frente de um dos mais importantes estados do mundo nega, como nega o benefício das vacinas, a importância da paz, dos estados se entenderem. E isto é fácil quando ele encontra pela frente uma Europa temerosa, sem rumo, salvo o de querer armar-se para se defender de quem? O momento que se vive na Gronelândia é curioso: a Europa vai comprar um arsenal de armas aos Estados Unidos para se defender… dos Estados Unidos e salvar a maior ilha do mundo de cair nas suas garras.
Loucos, loucos, loucos!

Mas em Leiria, em Alcácer do Sal, em Montemor-o-Velho, em Coimbra, em Ourém, na Marinha Grande todos sentiram as alterações que o louco diz serem invenções.

E chegamos ao ponto em que urge fazer com que os mais novos percebam que correm o risco de viver num mundo irrespirável, que precisam de se servir de todos os instrumentos, de toda a ciência que ajude a enfrentar os fenómenos naturais, sabendo que será difícil lutar cara a cara com eles.

E aí pode entrar a Escola. Mas eu disse que hoje não falaria dela e cumpro o meu compromisso para com os que me leem.
A minha última nota vai num abraço fraterno em forma de palavras para os presidentes das câmaras, os vereadores, as polícias, a prevenção civil, os bombeiros, os militares. A ordem aqui é arbitrária. Foi brutal o desgaste que emocional e fisicamente sofreram para salvarem o seu povo. Estou grato.

E ao contrário do oficial superior do meu quartel de Leiria, garanto, garantimos todos, que houve vendaval que nem o pinhal de Leiria poupou.

Disse. E para a próxima crónica volto a falar de Educação…

Autoria de:

Linhares de Castro

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