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Exportações: a âncora que (as)segura o futuro do país

30 de junho de 2026 às 09 h15

Num contexto em que a competitividade de um país depende da sua capacidade de oferecer bens e serviços com qualidade e preços ajustados às elevadas exigências dos mercados nacionais e internacionais, as exportações assumem-se como um dos principais pilares da economia portuguesa. O seu peso no PIB aproxima-se hoje dos 50%, refletindo uma transformação profunda ao longo das últimas quatro décadas: desde a adesão à CEE e até à crise financeira de 2008-2009, esse valor não ultrapassava os 30%.

Esta evolução mostra como Portugal reforçou de forma significativa a sua abertura ao exterior e se aproximou da média da União Europeia. Depois da crise da dívida, muitas empresas apostaram na internacionalização e na inovação, o que sustentou o crescimento das exportações de bens; em paralelo, o turismo afirmou-se como um dos motores mais relevantes das exportações de serviços e da própria economia nacional.

Segundo a Informa D&B, existem atualmente cerca de 42 mil empresas exportadoras (mais 10 mil do que há uma década), com um volume de negócios superior a 220 mil milhões de euros e cerca de 1 milhão de pessoas empregadas, distribuídas por todos os setores de atividade, com preponderância da indústria e localizadas maioritariamente nas regiões Norte e Grande Lisboa (cerca de 2/3 do total). Dados que evidenciam que o país encontrou nas vendas ao exterior uma forma de ganhar escala, criar emprego e resistir à estagnação económica, integrando-se de forma mais sólida nas cadeias internacionais de valor.

Apesar desta trajetória promissora, persistem fragilidades que importa acompanhar de perto, sobretudo a forte concentração geográfica e a excessiva dependência dos principais parceiros comunitários. Espanha, Alemanha e França continuam a representar mais de metade das exportações nacionais de bens, deixando-nos muito expostos a choques da procura e a quebras de competitividade.

O diagnóstico recente confirma essa fragilidade: em 2025, Portugal perdeu quota de mercado em 57% dos destinos para onde vende, num cenário de grande incerteza internacional. Ainda assim, começam a surgir sinais de recomposição que deixam antever uma base exportadora mais alargada no futuro. Os serviços empresariais e as tecnologias de informação e comunicação foram os setores que mais cresceram em número de empresas exportadoras nos últimos cinco anos. A mesma tendência é visível em nichos tecnológicos de elevado potencial, como bens de utilização militar, cujas exportações cresceram 77% entre 2022 e 2025.

Os Estados Unidos são o principal cliente de drones e outros equipamentos de defesa de produção portuguesa (41% do total) e a Ucrânia tornou-se um mercado muito mais relevante desde o início da guerra, ilustrando que o nosso país aproveitou as oportunidades que resultam do novo contexto geopolítico e é capaz de se afirmar em segmentos altamente especializados.

Em síntese, Portugal já provou que consegue competir com sucesso além-fronteiras; precisa agora de transformar essa ambição em crescimento duradouro cá dentro. Para tal, há que consolidar setores onde existem competências instaladas — dos produtos farmacêuticos aos serviços digitais, passando pelo agroalimentar— que combinam inovação, qualificação e capacidade de adaptação. Mantendo este rumo, as exportações serão não apenas um motor da economia, mas a âncora firme que nos sustenta num mar global cada vez mais agitado!

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