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Empresária Cláudia Azevedo diz que mulheres ainda enfrentam desigualdades no trabalho

01 de março de 2026 às 19 h07
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DB/Ana Catarina Ferreira

A empresária Cláudia Azevedo considerou hoje que as mulheres continuam a enfrentar desigualdades no mercado de trabalho, salientando que um país que não mobiliza todo o talento cresce abaixo do potencial.

“Em Portugal, apesar dos progressos, as mulheres continuam a enfrentar desigualdades estruturais no mercado de trabalho: na participação, na remuneração e no acesso a posições de decisão. Quando olhamos para estes dados, não falamos apenas de direitos. Falamos de competitividade. Um país que não mobiliza todo o seu talento é um país que cresce abaixo do seu potencial”, afirmou.

A Universidade de Coimbra (UC) celebra hoje o seu 736.º aniversário, tendo entregado durante a tarde o Prémio UC a Cláudia Azevedo, presidente executiva da Sonae.

Durante a cerimónia de comemoração do Dia da Universidade de Coimbra, Cláudia Azevedo defendeu que contrariar a tendência “é uma responsabilidade partilhada”, que se resolve com “decisões, com políticas consistentes, com culturas de empresa exigentes e com escolhas concretas, repetidas todos os dias”.

A presidente executiva da Sonae salientou ainda que, num mundo em rápida transformação, o maior risco “é não mudar” e a “única constante hoje é a mudança”.

“E para nós, portugueses, cada transformação, cada nova tecnologia, cada novidade, não é um risco — é uma oportunidade de dar um salto em frente”, referiu.

Já o reitor da UC, Amílcar Falcão, elogiou “a coragem do Governo ao avançar” para a reforma do Ensino Superior, dizendo que, se está “de acordo quanto à necessidade de mudança”, tem “mais dúvidas quanto à metodologia adotada”.

“Na minha experiência acumulada como reitor e vice-reitor, que perfaz hoje exatamente 15 anos, posso afirmar, sem receio de estar a errar, que nos deparamos com demasiada legislação conflituante, ausência de regulamentações e espaços enormes onde podem grassar interpretações dúbias, já para não falar de injustiças flagrantes que mexem com a equidade, o mérito, e a vida das pessoas e das instituições”, afirmou.

No entender do reitor, “como recomeçar do zero não é possível nem seria desejável, a introdução de nova legislação ou a alteração da existente devem ser cuidadosamente trabalhadas”.

“E uma tal operação dá mesmo muito trabalho”, alegou, defendendo que “é preciso dialogar, dialogar muito”.

Na sua intervenção, Amílcar Falcão indicou que a UC continua a trabalhar para ver como pode apoiar estudantes que acolheu no início do conflito na Ucrânia, que, por não terem nacionalidade ucraniana, “o Governo decidiu” que lhes era retirado o estatuto de refugiados de guerra.

“Internamente, congelámos a matrícula, esperando que politicamente a situação se clarificasse com rapidez. Até hoje, não obstante os inúmeros pedidos de ajuda, continuamos sem orientações, embora continuemos a trabalhar afincadamente para ver como poderemos apoiar estes jovens. Uma situação verdadeiramente lastimosa!”, referiu.

No entender do reitor da UC, “este exemplo concreto não pode ser separado da extinção do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) e da criação da AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo)”.

“A primeira funcionava mal. A segunda funciona pior. Esperemos que este exemplo não faça escola!”, alertou.

Sobre a laureada deste ano com o Prémio UC, Amílcar Falcão destacou que o seu percurso e a forma de liderança se cruza com a UC nos valores que defende e na sua visão empreendedora.

“A sua intervenção na promoção da inclusão, equidade, e paridade de género, tem sido a marca de água de uma liderança forte, mas discreta. A estes valores, podemos acrescentar a sua preocupação e compromisso com matérias ligadas à sustentabilidade, mostrando assim que se pode liderar um grande grupo económico, sem ceder nos valores fundamentais que enaltecem a sua grandeza enquanto ser humano”, indicou.

Autoria de:

Agência Lusa

2 Comentários

  1. Hipócrita? diz:

    Serão todos hipócritas? Ou apenas alguns?
    A questão sobre a proteção dos trabalhadores pela Sonae é objeto de intenso debate, com sindicatos a acusarem frequentemente a empresa de práticas contrárias ao discurso de valorização humana, especialmente em contextos de greve e condições de trabalho na logística e retalho.
    As principais ccusações e controvérsias mais recentes registamos em 2025/2026, e são relativas a intimidações e a greve: O CESP (Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal) denunciou em dezembro de 2025 que chefias da Sonae na Azambuja intimidaram, ameaçaram e discriminaram trabalhadores que aderiram à greve geral.
    Devido a estas ações, o CESP avançou com queixas-crime contra a empresa por violação do direito à greve.
    O sindicato denunciou ainda a substituição de trabalhadores em greve por funcionários de empresas de trabalho temporário, uma prática considerada ilegal.
    Foram relatados casos de processos disciplinares após denúncias de assédio e discriminação, como no caso do trabalhador Albertino Oliveira, suspenso após entrevista.
    Os trabalhadores reclamam que (aqueles que ainda vão conseguindo falar, apesar de ser forte o “incentivo ao silenciamento”), apesar dos altos lucros do grupo, muitos funcionários com 10, 20 ou 30 anos de casa recebem salários próximos do mínimo nacional.
    A empresa, por sua vez, tem repudiado as acusações do CESP, classificando-as como “infundadas” e garantindo que respeita os direitos dos trabalhadores e o direito à greve. A Sonae frequentemente destaca a sua política de Recursos Humanos e códigos de ética para demonstrar compromisso com os colaboradores.
    A contradição relatada pelos sindicatos baseia-se na discrepância entre a imagem pública de “empresa exemplar” e a vivência operacional, onde pressões por custos e resultados (como na logística) entram em conflito com as reivindicações laborais.

  2. hipocrisia concordo plenamente,dizem ser o maior grupo empregador de Portugal mais escondem uma grande discriminação ,e preconceito sobre tudo na hora de recrutarem os seus colaboradores, e pra quem é emigrante e um Deus nos acuda empresas temporárias então são tratados como eles querem sob o critério deles mesmo em caso de injustiças

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