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Coimbra

“É importante que os jovens percebam que o trabalho na agricultura é muito tecnológico”

30 de abril de 2025 às 08 h19
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DB/Foto de Ana Catarina Ferreira

Há exatamente uma semana a Escola Superior Agrária recebeu a conferência “Inovação: que desafios se colocam ao setor agroflorestal nacional para a próxima década?”, que contou com a presença do ministro da Agricultura e Pescas. Em tempo de aniversário da escola – 138 anos – essa é também uma questão que se pode colocar a esta escola: “Que desafios para a década?”

Sim, mas antes deixe-me dizer que esse dia da conferência, 22 de abril, foi, na realidade, a data de aniversário da ESAC, que assinala o momento da expropriação destes terrenos, em 1887, para receber a, então, Escola Nacional de Agricultura, transferida de Sintra e já com alunos nesse ano.

Em 2025, como no dia 22 de abril tivemos essa conferência nacional – organizada, conjuntamente, por 17 Centros de Competências nacionais ligados à inovação e transferência de conhecimento nestas áreas – resolvemos assinalar o 138.º aniversário a 30 de abril.

Vamos fazer um programa relativamente simples, mas com base na inovação… na importância que a investigação tem para os nossos alunos, ou seja, aquilo que é importante para o futuro deles.
Será uma ocasião para fazer o ponto da situação do trabalho realizado. Olhando para trás, lembro-me de que, há alguns anos, a escola tinha muita dificuldade em preencher as vagas de alguns cursos. Entretanto, fomos atingindo o atual ponto de equilíbrio.

Ou seja, houve um aumento de procura por parte dos alunos?

Há que distinguir dois planos: temos cursos da escola muito versados na área agrícola, animal e florestas; e depois há os cursos de outra banda, como a biotecnologia, turismo e ambiente. Então, hoje em dia, temos uma Escola Agrária que ministra cursos muito diversificados.

Na prática, os cursos mais ligados ao setor primário, à agricultura, à agronomia, à zootecnia e às florestas têm, de facto, alguma dificuldade em ter alunos no âmbito do concurso nacional de acesso. Mas isso é um desafio.
Repare-se que, hoje em dia, só existem em Portugal três instituições de ensino superior que conferem licenciatura na área florestal: aqui em Coimbra, em Lisboa e em Vila Real.
No ano passado, no conjunto destas três instituições, entraram apenas 11 alunos no Concurso Nacional de Acesso. Mas, por outro lado, trata-se de uma área profissional onde, todas as semanas, recebemos do mercado solicitações de ofertas de emprego.

Que explicação encontra para este “divórcio” entre o interesse dos jovens para trabalhar na área florestal e as oportunidades de emprego que existem?

Se calhar, nós não sabermos chegar às gerações mais novas e passar o encanto que é poder trabalhar na natureza, trabalhar ao ar livre e resolver problemas numa área tão importante para a sociedade, pelos impactes positivos que tem, ao nível da economia, mas também da sustentabilidade e do clima.
É um trabalho que tem que ser feito, seguramente, a nível nacional e para o qual nós também tentamos contribuir. É importante que os jovens percebam que, hoje em dia, o trabalho que se faz em agricultura, na produção animal, ou nas florestas, é muito tecnológico, muito mais tecnológico do que eles pensam. Trabalha-se com sistemas informáticos, drones e robôs, para controlar os processos, os sistemas automatizados e a qualidade.
Portanto, há uma panóplia enorme da tecnologia que é importante que os jovens percebam que existe, e isso pode ser desafiante para eles em áreas que são fundamentais.

Pode ler a entrevista completa na edição impressa do dia 30/04/2025 do DIÁRIO AS BEIRAS

Autoria de:

António Rosado

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