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Coimbra

Doenças da coluna são as que têm maior preponderância e geram maior incapacidade

16 de outubro de 2024 às 09 h13
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DB/Foto de Pedro Ramos

Que impacto têm as doenças da coluna nas pessoas e na sociedade?

Cada vez maior. Pela primeira vez, as doenças da coluna ultrapassaram as doenças cardiovasculares que, até agora, nas sociedades ocidentais, eram as que tinham uma maior preponderância e geravam maior incapacidade parcial temporária ou definitiva. Temporária quando as pessoas estão de baixa, definitiva quando se reformam por invalidez. Portanto, até agora as doenças cardiovasculares eram a principal causa. Neste momento, nas sociedades ocidentais – e Portugal não é exceção –, as doenças da coluna passaram a ser a principal causa de baixa.

A que se deve isso?

Tem muito a ver com três fatores: sedentarismo, obesidade e ausência do exercício físico. O sedentarismo está muito ligado à ergonomia dos lugares de trabalho. Se repararmos, passamos o dia todo sentados e isso altera substancialmente, porque nem sempre os locais de trabalho têm a ergonomia mais adequada; por outro lado, toda a estrutura biomecânica do tronco é alterada. Depois, a obesidade, o excesso de peso, é outro dos problemas que condiciona sobremaneira as dores ao nível da coluna e um dos problemas atuais significativos nas sociedades ocidentais, das quais os Estados Unidos são o expoente máximo. O terceiro tem a ver com o exercício físico, que está muito ligado ao primeiro. Cada vez mais o tempo para a prática do exercício físico é menor. A competitividade é muito grande e o ritmo de trabalho das oito às cinco hoje em dia não existe em praticamente nenhuma profissão. O que leva a que o tempo disponível seja muito curto e o tempo para a prática desportiva excecionalmente reduzido.

Uma trilogiapreocupante…

Esta trilogia leva a problemas, que condicionam e por isso é que isto é mais comum nas sociedades ocidentais. E o problema é que a patologia da coluna está a aparecer em idades cada vez mais novas. Antigamente, andávamos de bicicleta, jogávamos à bola, etc.. Para além da educação física, a atividade era física. Hoje em dia não. As bicicletas não se vendem, a não ser já para o jovem adulto. Os miúdos não andam de bicicleta, não correm, não jogam à bola, não têm atividade. Estão grudados no telemóvel nos intervalos, em casa igual e, portanto, atividade física – e podia não ser desporto – hoje não têm.

Faltam políticas públicas nesta área? Que levassem as pessoas e as empresas a darem mais importância ao exercício físico?

Isso já existe nas grandesempresas multinacionais, sobretudo no estrangeiro. Já existem momentos, sobretudo nos open spaces, de paragem, com exercícios e isso já é comum em muitas empresas de renome internacional, que referem que teve um impacto grande na melhoria das condições de trabalho e nos funcionários, que se sentem mais motivados. No entanto, não há estudos que permitam analisar em concreto qual o impacto disso, mas é indubitável que o exercício físico na área da coluna tem três/quatro grandes vantagens.

E quais são?

O fortalecimento muscular do troco, absolutamente essencial; ganhar elasticidade e flexibilidade; e, por outro lado, o próprio exercício físico estimula a produção de endorfinas, hormonas endógenas, produzidas pelo próprio organismo, que são hormonas do prazer, analgésicas, portanto diminuem a dor. O benefício do exercício físico está mais do que comprovado. O professor Pádua, cardiologista, conseguiu pôr os portugueses a andar. Nos anos 1980, verificou-se que existia uma prevalência grande das doenças cardiovasculares e hoje é normal ver, desde as cidades às aldeias, toda a gente a fazer a sua caminhada noturna, porque acha que é bom para o coração e para a parte cardíaca. E é. Mas, para a coluna, a caminhada é um exercício muito insuficiente.

Como assim?

A única coisa para que serve é para perder peso, é a única vantagem. Hoje, não se cultivam os músculos do tronco. Não há uma sensibilidade nesse sentido, nem das políticas públicas nem da própria população, que podia estar mais sensível se as políticas públicas se fizessem nesse sentido, como o fizeram aquando do movimento da cardiologia, que conseguiu efetivamente que as pessoas percebessem que a marcha era importante para as doenças cardiovasculares. Mas há países que já o fazem. A prática de Pilates nos países nórdicos tem uma percentagem excecionalmente elevada, agora nas nossas comunidades isso ainda não existe.

Pode ler a entrevista completa na edição impressa e digital do dia 16/10/2024 do DIÁRIO AS BEIRAS

Autoria de:

José Armando Torres

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