Carta Aberta à Presidente Ana Abrunhosa
Senhora Presidente, A forma diligente, responsável e humana como com a sua equipa tem encarado as recentes cheias do Rio Mondego, agravadas pelos efeitos da tempestade Kristin, tem sido digna de apreço e reconhecimento geral. A justo título!
As marcas profundas que estas semanas deixarão na cidade e região – de perdas humanas a prejuízos colossais em habitações, comércios e equipamentos – são sinais claros da dimensão desta adversidade.
Ainda é o tempo de acudir a quem mais precisa, cuidando de quem sofreu danos de relevo. Contudo, os momentos de crise também devem ser encarados como oportunidades de transformação. Coimbra não deve limitar-se a remendar o que foi destruído. A cidade tem diante de si uma ocasião rara para repensar o seu modelo urbano, sobretudo a respetiva relação com o Rio Mondego e para projetar uma Baixa moderna, resiliente e atrativa.
É a hora de olhar para as margens do rio como um verdadeiro eixo de vida urbana: com zonas pedonais contínuas, ciclovias, espaços verdes adaptados a cheias, áreas de lazer e novas infraestruturas desportivas acessíveis a todos. Uma frente ribeirinha qualificada pode tornar-se o coração pulsante de uma cidade mais sustentável, capaz de atrair residentes, estudantes, turismo e investimento.
A reconstrução da Baixa deve também integrar soluções de adaptação climática: drenagens inteligentes, materiais mais resistentes, requalificação de praças e ruas, e incentivos à habitação permanente. Não basta restaurar fachadas; é preciso devolver vitalidade, segurança e futuro ao centro histórico.
Senhora Presidente, tem diante de si a maior das tarefas: confirmar que Coimbra além de história, tem também talento e muita ambição. O desafio que agora enfrenta pode transformar-se no ponto de partida para uma reforma urbana corajosa e estruturante. Nunca vista em décadas. Que esta reconstrução seja, acima de tudo, um projeto de modernização da cidade – devidamente aberto, transparente e participado – assim como de reconciliação profunda com o seu rio. Nunca esquecendo que é um dos nossos “ex libris”. Apesar destes dias…
