diario as beiras
opiniao

Caravana do mundo

06 de janeiro de 2026 às 11 h04
0 comentário(s)

Uma prostituta, um ex-recluso, um cigano, um Bangladeshi, um ateu, um cristão não praticante… viram uma estrela e puseram-se a caminho. Jovens e velhos, ricos e pobres, todas as regiões da terra estavam aqui representadas.

Muitos viram essa estrela, mas só estes decidiram colocar-se a caminho. Homens e mulheres desassossegados e desacomodados. Ficaram conhecidos por ‘buscadores’. Como todas as viagens, sabemos como começa, mas não sabemos como acaba.

Quando chegaram a Jerusalém perderam a estrela, no meio de tantas luzes. Dúvidas, incertezas, cansaços… acabaram a falar com Herodes. Homem mau, em quem não podiam confiar.

Há tantos momentos em que a vida nos prega uma partida! Tantas pessoas que nos enganam e nos falham! Muitas vezes acabamos a falar com Herodes!

Afinal ainda faltavam cerca de 10km para chegarem ao destino – Belém. Confundiram Jerusalém com Belém, atraídos pela riqueza e pelo poder, desvalorizaram a força e a beleza da simplicidade e da autenticidade.

Escutados os escribas, que confirmaram o destino, retomam o caminho e chegaram a Belém onde encontraram uma criança. Tudo impressiona: a periferia, a simplicidade, o silêncio…

A estrela iluminava o rosto de José, de Maria e do menino. Talvez ainda por lá estivesse o burro e a vaca e o cheiro dos pastores que tinham acabado de sair.

Aquela ‘caravana do mundo’ entrou no espaço apertado da casa e ficaram a contemplar e a adorar aquele menino.
Não tinham grande coisa para oferecer… chegaram de mãos vazias. Não contavam com aquele encontro. Então Maria e José, em nome do menino, ofereceram três presentes a cada um deles: ouro, incenso e mirra.

Não queriam aceitar, mas Maria e José insistiam. Depois de terem distribuído todos os presentes decidiram explicar o sentido de cada presente.

O ouro representa o reconhecimento da importância e do valor de cada vida; o incenso fala da divindade e do sagrado que habita cada ser humano; e a mirra indica a morte, a fragilidade e a humanidade de que somos feitos.

Naquele presépio uma luz brilhou mais forte e iluminou o rosto de cada ser humano. Cada um percebeu melhor quem era e o valor que tinha aos olhos daquela criança.

Na hora de regressar a casa, regressaram por outro caminho e, sobretudo, de outra forma. Há encontros que mudam a vida.

Autoria de:

Nuno Santos

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Últimas

opiniao