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Bispo prefere “templos vazios” a cedências na defesa dos mais pobres e denúncia dos exploradores

25 de novembro de 2025 às 16 h43
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O bispo Januário Torgal Ferreira disse hoje preferir “templos vazios”, se isso for o preço a pagar pela adequação da Igreja Católica aos tempos modernos e um regresso ao discurso social de denúncia da exploração.

“Mesmo que as igrejas ficassem vazias, isto não vai pelo número, mas pela fidelidade à fé”, afirmou à Lusa o antigo bispo das Forças Armadas, que lamentou o conservadorismo crescente entre os mais novos.

Entre “a malta mais jovem começo a perceber que há laivos de conservadorismo, um certo receio, não de avançar mas de dar a cada um o que é de cada um”, lamentou o bispo, criticando o peso crescente dos tradicionalistas no seio da Igreja.

No “pensamento dos papas e de alguns servidores com mais responsabilidade, a visão social da Igreja foi sempre corajosa, justa, inteligente e patriótica”, porque ser “patriota é sempre aquele que luta contra o egoísmo e defende a solidariedade”, salientou.

A dias da primeira viagem apostólica de Leão XIV e depois de o Papa ter sido criticado por ter defendido os imigrantes, Januário Torgal Ferreira criticou quem tem “receio do chamado progressismo e não tem do receio do tempo voltar para trás”.

São católicos que “têm receio do avanço da justiça e de uma determinada solidariedade”, afirmou o bispo, considerando que a Igreja deve ser mais vocal nas denúncias dos problemas.

Deve ser “uma igreja que não pode concordar com esta lei laboral que andam para aí a querer executar, por exemplo”, disse, recordando o trabalho dos católicos na defesa dos mais pobres, que “existe mas nem sempre é valorizado publicamente”.

“Se temos feito tanta obra ao serviço dos mais abandonados, porque não dizer em voz alta que os pequeninos estão a ser calcados?”, questionou, salientando que o “evangelho vai além da política e dos partidos políticos”.

Quanto aos mais conservadores, Januário Torgal Ferreira recordou a pergunta que a bíblia indica como sendo a que será feita aos fiéis no dia do juízo final.

“Sempre que tu fizeres aos mais pequeninos, a mim Cristo o fizeste: isto é dar pão a quem tem fome, abrir as portas a quem vem de fora, ao estrangeiro ou ao imigrante, cobrir os que estão nus, visitar os doentes, que é também proclamar uma política sábia de saúde”, resumiu o bispo.

“Os mais pequeninos da sociedade são Cristo e é isto que custa aceitar a muita gente” que “se diz católica”, acrescentou ainda.

Autoria de:

Agência Lusa

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