Nacional

Associação 25 de Abril acusa Governo de faltar à palavra sobre centro interpretativo

18 de setembro de 2025 às 17 h56

O presidente da Associação 25 de Abril acusou hoje o Governo de faltar ao compromisso assumido de criar um centro interpretativo sobre a revolução dos cravos, e classificou como “uma palhaçada” a nova comissão sobre o 25 de Novembro.

Em conferência de imprensa na sede da Associação, em Lisboa, Vasco Lourenço acusou o executivo de ter decidido “de forma unilateral e arbitrária, não cumprir o compromisso oficialmente assumido” de instalar o Centro Interpretativo do 25 de Abril nas atuais instalações do Ministério da Administração Interna (MAI), na Praça do Comércio, em Lisboa.

Segundo Vasco Lourenço, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, comunicou recentemente à associação que “por razões de segurança”, não especificadas, o MAI já não vai sair das atuais instalações.

O Governo tenciona, segundo a associação, utilizar a zona ocidental da Praça do Comércio para “instalar serviços culturais”, após a saída do Ministério da Agricultura deste local para o ‘Campus XXI’, (Av. João XXI, em Lisboa), prevista para 2027.

A associação foi informada de que uma “hipótese viável” para o executivo é destinar parte dessas instalações a este centro interpretativo, solução que só poderá ser analisada após as eleições autárquicas de outubro, devido ao envolvimento da Câmara Municipal de Lisboa na questão. Está também a ser estudada a hipótese de instalar este centro noutro ponto do país.

Para Vasco Lourenço, o Governo está a “empurrar com a barriga” e esta situação faz com que o Estado, “por ação do seu poder executivo, se transforme numa entidade não credível” e “não confiável”, faltando à sua palavra,

“Eu não sei viver num país desses, em que os principais responsáveis não cumprem os compromissos que assumem”, criticou.

 O coronel Vasco Lourenço criticou ainda o executivo por ter criado “inesperadamente” uma comissão para assinalar os 50 anos da operação militar de 25 de Novembro de 1975, “ignorando todos os compromissos assumidos, nomeadamente as competências da Comissão Nacional e da Comissão Executiva [dedicadas aos 50 anos do 25 de Abril de 1974]”.

Lembrando que o programa das comemorações oficiais do cinquentenário da revolução dos cravos já previa assinalar o 25 de Novembro de 1975, Vasco Lourenço classificou como “uma palhaçada” a criação de uma nova comissão e chegou mesmo a acusar o Governo PSD/CDS-PP de querer deturpar a história do país.

“Eu não digo que eles desconheçam [a História]. Eu digo que eles querem deturpá-la. Se não conhecem, não podem estar no Governo. Pessoas deste tipo, com esta ignorância, não podem estar no Governo”, criticou.

Vasco Lourenço lembrou que a resolução do Conselho de Ministros do passado dia 08 de setembro, que criou esta nova comissão, referia que o 25 de Novembro permitiu realizar as primeiras “eleições livres e democráticas em Portugal, por sufrágio direto e universal” a 25 de Abril de 1976, omitindo o sufrágio para a Assembleia Constituinte, realizado no ano anterior.

A frase foi entretanto retificada pelo Governo, que especificou que se estava a referir às primeiras eleições “legislativas” livres, mas para a Associação 25 de Abril existiu uma justificação para tal lapso: “O 25 de Novembro que vão comemorar pretende ostensivamente ignorar a verdade histórica e tudo o que signifique liberdade, partidos políticos, democracia e fim da guerra, isto é, a essência do 25 de Abril”.

Classificando a atitude do Governo como “inqualificável e incompreensível”, Vasco Lourenço assinalou: “Eles não querem o 25 de Abril, odeiam o 25 de Abril”.

1 Comentário

  1. maria josé Andrade diz:

    É de facto uma vergonha o que está a ser preparado com as comemorações do 25 de novembro mas o grupo dos novetem grandes culpas no cartório e daqui a uns anos os seus nomes desaparecerão da história como eles fizeram desaparecer o de vasco Gonçalves e outros militares de abril

Responder a maria josé Andrade Cancelar resposta

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Últimas

Nacional