Literacia em saúde: da informação à decisão
No dia 8 de setembro assinalou-se o Dia Internacional da Literacia. Falar de literacia em saúde é falar de uma competência essencial para a vida: a capacidade de encontrar, compreender e utilizar informação para tomar decisões que protejam a saúde.
Todos os dias fazemos escolhas que podem ter impacto na nossa saúde e bem-estar: tomar ou não a medicação, praticar exercício físico, selecionar o que comemos ou saber quando procurar ajuda. Para fazer escolhas mais conscientes, não basta ter informação. É preciso compreendê-la e saber utilizá-la.
Saber que fumar aumenta o risco de enfarte e cancro, que a hipertensão pode ser silenciosa ou que o colesterol elevado aumenta o risco cardiovascular é importante. Mas o verdadeiro impacto acontece quando esse conhecimento ganha significado e nos ajuda a decidir.
A literacia em saúde não é apenas saber mais. É compreender melhor para tomar boas decisões para a vida.
Esta questão é particularmente importante na prevenção das doenças cardiovasculares – a principal causa de morte em Portugal. Cerca de 85% destas mortes estão associadas à exposição a fatores de risco que podem ser prevenidos ou controlados. No entanto, apesar da informação disponível, os comportamentos da população têm sofrido poucas alterações na adoção de estilos de vida saudáveis.
Para uma mudança efetiva, não basta divulgar informação. É essencial educar, motivar e criar ambientes que facilitem escolhas saudáveis. E este trabalho deve começar cedo: desenvolver competências de literacia em saúde desde a infância e adolescência pode contribuir para comportamentos mais saudáveis ao longo da vida e influenciar positivamente as famílias.
A literacia em saúde também se revela quando precisamos de usar o sistema de saúde: saber quando procurar ajuda, a quem recorrer, como preparar uma consulta, compreender uma orientação e participar nas decisões sobre os cuidados.
É aqui que entra a navegabilidade no SNS. Não basta abrir portas, é preciso ajudar as pessoas a encontrar o caminho.
Podemos ter informação correta, mas difícil de encontrar ou compreender, canais de comunicação pouco articulados e tecnologias que, ao mesmo tempo que facilitam o acesso para uns, podem criar novas barreiras para outros.
Por isso, a responsabilidade não pode estar apenas no cidadão. Precisamos de pessoas mais capacitadas para cuidar da sua saúde, mas também de organizações capazes de comunicar, orientar e acompanhar melhor. Simplificar percursos, utilizar linguagem acessível, melhorar a sinalização e ajudar cada pessoa a encontrar o seu caminho no sistema de saúde, são formas concretas de melhorar a experiência do utente e humanizar os cuidados.
Investir em literacia permite ainda uma utilização mais adequada dos recursos de um SNS cada vez mais pressionado pela procura e pela complexidade das necessidades em saúde.
Informe-se. Questione. Compreenda. Participe.
Porque as escolhas que faz hoje podem influenciar a sua saúde amanhã.
A literacia em saúde não é apenas saber mais; é ter mais capacidade para decidir e agir sobre a própria saúde. Lembre-se, a literacia pode salvar a sua vida!
