Revisão da rede dos Transportes Urbanos de Coimbra vai privilegiar interligações
Fotografia: DR
A revisão da rede dos Transportes Urbanos de Coimbra vai privilegiar a interligação e complementaridade com outros operadores, revelou hoje o presidente da entidade, que abandonou a ideia de os serviços municipalizados chegarem a todas as freguesias.
Em declarações à agência Lusa, o presidente dos Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), Eduardo Barata, que assumiu funções em janeiro, afirmou que o estudo de revisão da rede deverá entrar em fase de discussão pública no espaço de semanas.
A solução adotada estará em linha, em grande medida, com a alternativa B desenvolvida pela OPT, empresa contratada no anterior mandato para estudar a reestruturação da rede dos SMTUC, em função da entrada em operação do ‘metrobus’ (autocarros em via dedicada) e do Sistema Intermunicipal de Transportes da região de Coimbra (SIT).
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A solução a adotar, apontou Eduardo Barata, ao invés de seguir uma lógica de ligações diretas com o mínimo de transbordos entre a origem e o destino, aposta numa redução de tempos entre viagens, mas com mais ligações.
“Neste momento, o processo de reestruturação da rede está a minimizar aquilo que é a sobreposição” entre operadores, apostando na intermodalidade e interligações, permitindo aos SMTUC “racionalizar a sua oferta, evitando sobreposições, sobretudo com a Metro Mondego e com os SIT”, aclarou.
“Deixámos de nos focar na minimização do número de transbordos para nos focarmos naquilo que é o tempo que demora a percorrer do ponto A ao ponto B e o número de ligações”, disse Eduardo Barata, que anteriormente foi vogal da Metro Mondego, referindo que serão feitas várias sessões de discussão pública descentralizadas da proposta de revisão de rede.
No âmbito dessa reestruturação, o presidente dos SMTUC considerou que os SIT serão “absolutamente estratégicos” para assegurar melhor serviços em zonas de menor densidade.
“Temos locais onde vamos uma vez de manhã, outra vez ao almoço e outra vez ao final do dia. Isso não é um verdadeiro serviço de mobilidade. São territórios que são muito melhor servidos pelos SIT”, disse, referindo que os SMTUC apenas ainda não deixaram de assegurar alguns pontos periféricos do concelho por os transportes intermunicipais ainda não estarem integrados no bilhete intermodal (o que obrigaria as pessoas a terem dois passes).
Se na campanha eleitoral a atual presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, defendia que os SMTUC deveriam assegurar serviço em todas as freguesias, Eduardo Barata considerou que se houver territórios com melhor cobertura por parte dos SIT, deve ser esse operador a assegurar o serviço, para não haver linhas em paralelo.
“Eu defendo e a senhora presidente da Câmara também defende que devemos racionalizar os meios”, disse, confrontado com a mudança de posição.
Eduardo Barata disse ainda que há conversas para ajustes na rede intermunicipal, nos horários e frequências, assim como mudanças nas paragens finais desse operador.
O presidente dos SMTUC defendeu que as paragens finais dos SIT sejam fora do centro da cidade e referiu que não faz sentido aquele tipo de autocarros andar a circular em vias como a rua do Brasil.
“A lógica é sempre a mesma. Se o operador se aproximar de um serviço com melhor qualidade, eu devo criar uma interface”, afirmou, salientando que os operadores não devem lutar por passageiros.
Apesar de o conselho de administração estar inclinado para a arquitetura da alternativa B proposta pela OPT, haverá pressupostos alterados, nomeadamente uma rede circular que estava prevista nesse estudo e que, a existir, “não deverá ser assegurada pelos SMTUC”.
Sobre a demora na entrada em discussão pública da proposta, Eduardo Barata afirmou que a revisão está “a cumprir os prazos normais” e considerou que só tem de estar concluída e pronta quando o ‘metrobus’ estiver a funcionar por completo.
