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O ecossistema faz a força

04 de maio de 2026 às 08 h45

Apples, Cantão de Vaud, Suíça. Mil e duzentos habitantes em 1981. Foi ali que três engenheiros instalaram a sua empresa numa quinta. Chamaram-lhe Logitech. Hoje, mais de mil milhões de ratos vendidos. Dezasseis mil milhões de dólares de capitalização. Quase ninguém no mundo trabalha sem tocar num produto saído daquela aldeia. Como é que mil e duzentas almas produzem uma multinacional? Não foi sorte. Foi ecossistema. A Logitech nasceu encostada à EPFL, hoje uma das vinte melhores universidades técnicas do mundo. O primeiro rato baseou-se num protótipo de um professor da casa. Quarenta e cinco anos depois, a sede mundial continua no campus, com cinquenta estagiários da EPFL ao mesmo tempo dentro da empresa e duzentas startups vizinhas no mesmo parque. Universidade, capital, talento, infraestrutura, num raio de poucos quilómetros. Apples não tinha nada de especial. A região à volta de Apples decidiu ter. Coimbra e a Região Metropolitana têm hoje o que Apples não tinha em 1981. Uma das universidades mais antigas da Europa. Hospitais universitários. Biotecnologia em Cantanhede. Polo aeronáutico em consolidação. Agroindústria com identidade. Escolas técnicas a formar quadros. E gente formada que, ano após ano, faz as malas porque entre a tese e o primeiro emprego qualificado o caminho passa por Lisboa, Berlim ou Zurique. Temos os ingredientes. Falta-nos a coreografia.

Um ecossistema não é um edifício nem um plano estratégico. É a decisão coletiva, repetida durante anos, por muita gente ao mesmo tempo,  de tratar o território como rede e não como soma de freguesias. É segurar a mão do investigador que tem uma patente e a mão do empresário que precisa dela, e fazê-los encontrar-se na mesma sala. A Logitech não saiu de Apples. Tornou-se gigante a partir de Apples. A diferença importa. Ecossistemas estruturados retêm valor. Territórios desorganizados exportam talento.

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