Mau Tempo: Maioria das estradas nacionais cortadas na Região de Coimbra com projeto no verão
Infraestruturas de Portugal reuniu-se com autarquias em Arganil | Foto: Região Metropolitana de Coimbra - CIM
Três das cinco estradas nacionais com circulação cortada na Região de Coimbra por causa das intempéries deverão ter projeto pronto durante o verão, já a estrada regional (ER) 2 de Penacova continua sem previsão.
A informação foi dada pelo presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), Miguel Cruz, que falou hoje aos autarcas dos 19 municípios da Região de Coimbra, no arranque do Conselho Intermunicipal, que decorreu em Arganil.
Segundo Miguel Cruz, no caso da ER2 – antiga estrada nacional (EN) 2 -, em Penacova, a via ainda “está em avaliação” e o projeto só poderá avançar depois dessa fase, recusando-se a avançar com uma perspetiva de tempo de empreitada, por não haver ainda projeto.
Já no caso da ER110, que liga Coimbra a Penacova, cujo corte e falta de respostas já motivou uma manifestação da população, Miguel Cruz disse que o projeto já está em curso, que inclui a estabilização de toda “uma faixa que vai do talude até à plataforma”.
“Foi objeto de ajuste direto e estamos à espera de concluir o projeto” em julho de 2026, disse, referindo que, naquele caso, a intervenção implica expropriações de terrenos, esperando-se que a obra possa ser lançada até final do ano.
Também no caso da EN342, em Arganil, estima-se que o projeto fique concluído em junho e a obra terminada ainda neste ano, assim como no caso do ex-IC3, em Penela, afirmou.
Também no concelho de Penela, no caso da EN347, a estrada está em avaliação técnica, esperando-se que o projeto de execução possa ficar concluído no final do terceiro trimestre de 2026 (setembro).
Apesar de avançar com estimativas para datas para a conclusão dos projetos e apontar prazos médios de seis meses de obras, Miguel Cruz admitiu que poderá haver alguns atrasos e constrangimentos que atrasem as intervenções, assim como ajustes de prazos após a conclusão dos projetos.
O responsável daquela empresa pública afirmou ainda aos autarcas que a IP está disponível para criar soluções alternativas de curto prazo.
Na reunião do Conselho Intermunicipal, o presidente da IP ouviu diversas críticas de autarcas, que acusam a Infraestruturas de Portugal de demora ou ausência de resposta a problemas em estradas que estão sob a sua gestão e falta de intervenções estruturais em acessibilidades da região.
No caso da EN342, o presidente da Câmara de Góis, Rui Sampaio, criticou o horizonte temporal apresentado, além de defender que a intervenção deveria corrigir outras debilidades presentes na estrada entre Góis e Arganil, “sob pena de voltar a ter problemas futuros”.
“Há alguma desconsideração com os presidentes de Câmara. Estamos sempre a ser questionados e nunca temos uma resposta para dar”, notou.
Já o presidente da Câmara de Penacova, Álvaro Coimbra, apontou para o caso da ER110 como exemplo do abandono e falta de manutenção por parte da IP, recordando que o município apresentou ao Governo, em 2023, um relatório exaustivo dos problemas daquela via que acompanha o rio Mondego.
Volvidos três anos, “90% das patologias continuam por resolver”, criticou, considerando ainda que aquela estrada, “com um dos percursos mais bonitos do país”, continua “a ser esquecida”.
Sobre a ER2, Álvaro Coimbra notou que o troço afetado é de apenas 300 metros, tendo proposto uma alternativa de reabertura de apenas uma faixa com semaforização e circulação alternada.
Também na reunião, o presidente da Câmara de Penela, Eduardo Santos, lamentou os “prejuízos económicos tremendos” com o corte no ex-IC3, referindo que o município está disponível para avançar com uma solução alternativa de curto prazo.
Sobre a possibilidade de transferência de estradas nacionais para os municípios, a presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC), Helena Teodósio, referiu que as autarquias estarão disponíveis para tal, desde que haja um “envelope financeiro que se pudesse esticar no tempo”.
“Se não, ficamos com um ónus terrível”, disse.

