25 de Abril: Liberdade e Responsabilidade
A Revolução de 25 de Abril de 1974 é um dos momentos mais decisivos da história contemporânea de Portugal e deve constituir motivo de orgulho para todos os portugueses.
Foi o dia em que a Liberdade substituiu o silêncio imposto, em que a esperança venceu o medo e em que o país reencontrou o seu futuro coletivo. No entanto, mais do que celebrar, importa preservar e atualizar a memória desses acontecimentos sobretudo junto das gerações mais novas.
Mas essa Memória exige conhecimento. Para compreender plenamente o valor do 25 de Abril, é essencial conhecer também o lado mais sombrio do regime que derrubou. O pensamento político de Salazar, as limitações às liberdades individuais, a censura e a repressão devem ser estudadas e debatidas com rigor e espírito crítico. Só assim se evita a distorção ou o esquecimento.
Igualmente relevante é entender o contexto geopolítico da época, nomeadamente o papel das grandes potências em relação às antigas colónias portuguesas. A descolonização não ocorreu num vazio histórico, mas sim num cenário internacional complexo, que deve ser explicado e ensinado.
Importa também divulgar a obra realizada pelos portugueses nesses territórios. Não por qualquer pretensão de compensação histórica — até porque muitos desses investimentos serviram sobretudo os colonos —, mas pelo seu valor técnico e humano. Infraestruturas, projetos de engenharia, arquitetura e hidráulica constituem testemunhos importantíssimos de uma evolução científica e técnica que se expandiu mais além-mar do que dentro de portas.
Por fim, as histórias e as experiências dos antigos combatentes devem ser procuradas, preservadas e respeitadas. Mais do que símbolos ideológicos, são relatos humanos, feitos de sofrimento, coragem e memória. Relatos de vidas que se completaram com as vidas interrompidas de quem ficou e sofreu a ausência e, tantas vezes, a perda.
O 25 de Abril não começou naquele dia. O 25 de Abril começou 48 anos antes. Quem o herdou naquela “madrugada inteira e limpa” tem obrigação de saber, de procurar, de conhecer. E nós, que nascemos antes de o ter, temos obrigação de o ensinar!


