Coimbra

Comissão da Carteira diz que escrutínio não se deve interpretar como agenda política

14 de abril de 2026 às 12 h34
Em causa estão acusações feitas pela presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, a um jornalista da Lusa | Fotografia: Arquico

A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) afirma que “escrutínio não deve ser interpretado como uma ‘agenda política’” após as acusações feitas pela presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, a um jornalista da Lusa.

“Este escrutínio não deve ser interpretado como uma ‘agenda política’, mas sim como o cumprimento do direito dos cidadãos a serem informados sobre a gestão da coisa pública”, lê-se no comunicado.

A CCPJ defendeu ainda que “a ausência de resposta por parte de instituições públicas a questões legítimas não pode ser usada, a posteriori, como fundamento para ataques à honra ou ao profissionalismo de quem apenas cumpre o seu dever de informar”.

 

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O organismo que certifica os jornalistas para a sua atividade afirmou também não ter “dúvidas de que o exercício do jornalismo não é uma concessão do poder político, mas um pilar fundamental do Estado de Direito”.

“Imputar ‘falhas deontológicas’ ou retirar ‘confiança’ a um jornalista por este reportar factos incómodos constitui uma pressão inaceitável que visa limitar a sua liberdade enquanto profissional”, lê-se em comunicado.

Nesta linha a CCPJ recordou que “o prestígio das instituições democráticas depende também do respeito que os seus eleitos demonstram pelo papel da comunicação social livre e independente”.

Em causa está um incidente ocorrido na última reunião camarária, na sequência da publicação de uma notícia sobre a Casa do Cinema de Coimbra, na qual o jornalista da Lusa João Gaspar dava conta de que o espaço está em risco de perder a sua licença por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado, referindo que questionou o executivo municipal, mas não obteve resposta.

Ana Abrunhosa acusou o jornalista de ter cometido uma falha deontológica grave e de ter uma agenda política.

O Conselho de Administração da Lusa reuniu-se em Coimbra com o autor da notícia e com o delegado regional da Lusa, na presença da diretora de informação da agência, para manifestar “solidariedade e confiança” no trabalho “de independência e rigor” do jornalista.

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