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Espetáculo do Loucomotiva une crianças de países em guerra e de Estados pacíficos

09 de março de 2026 às 11 h50
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O Teatro Loucomotiva vai estrear, no dia 27 de março, em Taveiro, a peça “Shai – Acalantos para corações à deriva”, que pretende criar pontes entre crianças vítimas de conflitos militares e aquelas que vivem em países pacíficos.

O espetáculo é uma fábula, que “coloca a criança no centro da discussão” e “parte completamente do conflito israelo-árabe para questionar o lugar da criança no mundo atual”, disse o encenador do espetáculo, Alexandre Oliveira, em declarações à agência Lusa.

O intuito é contar uma história que fale sobre as vítimas indefesas das guerras e como isto afeta não só as crianças que vivem nesta situação, “mas também aquelas que vivem em países pacíficos”, aproximando realidades distintas.

“Criamos circunstâncias ficcionais que nos permitem estabelecer estas pontes com quem nasce num sítio e é obrigado a deixá-lo e refugiar-se noutro país, que não é o seu, e de que forma a liberdade é condicionada, de que forma as pessoas recebem outras pessoas”, sejam elas “crianças ou graúdas”, de forma pacífica, sublinhou.

A ideia é não apenas gerar um sentimento de solidariedade, mas também encontrar uma forma de se posicionar, mesmo à distância, perante estes acontecimentos.

“É um espetáculo calmo, contemplativo, que procura não ser sobreestimulante para as crianças. O objetivo é ver uma coisa, deixar que ela medre e que ela viva e, quando essa coisa já não tiver interesse, ela desaparece, surgindo outro ponto de estímulo”, sublinha.

Trata-se de um espetáculo infantil, para toda a família, de caráter multidisciplinar, que cruza teatro, música, dança, acrobacia, manipulação de objeto, trabalho com máscara e origami.

Através da ficção, os artistas procuram permitir que o público vá além do lado racional, estimulando “a imaginação ao ponto de fazer com que haja encanto” e acalentando “os corações mais duros”.

Num comunicado enviado à agência Lusa, o Teatro Loucomotiva contou que “a história começa, como começam tantas histórias, com uma semente”.

“Uma semente que caiu de uma imponente Guapuruvu, tão alta que a sua queda começou no pico do verão e terminou apenas em pleno inverno. Pelo caminho, o vento — matreiro e imprevisível — soprou-a para longe da sua árvore, da sua aldeia, do seu país, fazendo-a poisar junto de outras árvores, outras aldeias, outros territórios”, adiantou.

Além da criação, uma oficina paralela de manipulação de objetos está agendada para os dias 14 e 15 de março, naquele teatro situado em Taveiro, no concelho de Coimbra.

A estreia decorre no dia 27 de março e o espetáculo também estará em palco no dia 28 de março e, no mês de abril, nos dias 10, 11, 12, 17, 18 e 19.

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