Opinião: Monumento a Camões
“No ano longínquo de 1880, os Estudantes de Coimbra decidiram celebrar o tricentenário da morte de Camões. Esta festa, um verdadeiro Centenário, decorreu durante 3 dias e teve direito a uma Serenata e Cortejo no dia 8, Sarau literário no Theatro Académico dia 9, e no dia 10 decorreu a Cerimónia onde foi colocada a primeira pedra para o Monumento a Camões.
O Monumento é a conhecida Estátua do Leão que já teve uma epopeia de vida pelas ruas de Coimbra. Um ano mais tarde, em 1881, quando os Estudantes receberam a Estátua repararam que contrariamente às habituais regras de estatutária esta vinha sem os genitais dignos de um Leão. Esta falta de característica gerou uma grande comoção na Academia, tendo sido convocada uma Assembleia Magna para decidir se haviam de devolver ou não a Estátua. Acabou por ser aceite pela Academia devido aos custos acrescidos que acarretaria a devolução e à caricata observância de um dos versos dos Lusíadas que a acompanhava: Melhor é merecê-los sem os ter / Que possuí-los sem os merecer. Foi então decidido colocar o Monumento em frente à Universidade, num antigo jardim existente no local da actual Faculdade de Letras intitulado “Alameda Camões”.
Seguiu-se também uma discussão sobre se o Leão devia estar de frente para a Cidade ou para a Universidade. Assim, como forma de brindar o Reitor de todas as manhãs que este viesse à janela, os Estudantes decidiram colocar o Leão com a cara virada para a Cidade.
A vida atribulada do Leonino não terminou aí. O projecto do Cámartelo na Alta cumpriu a sua função demasiado bem, e um acidente com uma grua destruiu o plinto do Leão. Esta foi então transladada tendo pululado por vários sítios como: o Pátio da Inquisição na Baixa, Palácio dos Grilos durante a estadia da AAC nesse local, Colégio da Trindade junto ao Instituto Justiça e Paz, actuais jardins da AAC e Avenida Sá da Bandeira onde está hoje colocada nervosamente a vistoriar as gruas da empreitada do Metrobus.
A falta da genitália sempre mereceu bastante atenção por parte dos Doutores que inquiriam aos Caloiros se era “leão ou leoa”. À resposta do Caloiro os Doutores retorquiam com um: “Então vá lá ver com a mão e depois responda-me à pergunta outra vez.”.
Foi também em preparação a este evento que João Marcellino Arroyo, na altura estudante de Direito com dezanove anos, fundou o Orfeon Académico de Coimbra.”
