2025: Tecnologia com um propósito
Em diversos momentos, o ano de 2025 trouxe novas fases de consolidação em várias áreas da transformação digital. Mais do que o fascínio pela tecnologia em si, sobressaiu muito do impacto que a sua adoção cria na sociedade e na economia, com um foco nas suas implicações éticas e sociais.
A discussão sobre ética na Inteligência Artificial evidenciou uma inquietação crescente: quem controla os sistemas que cada vez mais influenciam as decisões humanas? O debate acendeu-se desde logo sobre o viés algorítmico, fenómeno pelo qual os sistemas baseados em aprendizagem automática podem produzir resultados distorcidos, injustos ou mesmo discriminatórios para determinados indivíduos ou grupos, refletindo e amplificando padrões existentes na sociedade.
Em termos de regulação, a Europa optou pela aprovação do Regulamento Europeu da IA, com supervisão humana, mesmo com o risco de esta vir a contribuir para o abrandar da inovação no seu desenvolvimento. A mesma Europa lançou a “Bússola da competitividade”, um Roteiro baseado no Relatório Draghi que analisa a situação económica da União Europeia e propõe estratégias para reforçar a sua competitividade. Este roteiro foca-se na descarbonização e na inovação, colmatando o fosso tecnológico da União Europeia através de iniciativas como, por exemplo, as Gigafábricas de IA (como a que está planeada para Sines).
Em Portugal, a aprovação conjunta da Estratégia Digital Nacional, da Agenda Nacional para a Inteligência Artificial e do Pacto de Competências Digitais trouxe uma visão estruturada até 2030. As metas são ambiciosas: mais competências digitais, serviços públicos totalmente digitais, adoção massiva de IA nas empresas. No mundo do trabalho, 2025 trouxe também uma aspiração ou sonho antigo do “funcionário digital”, uma vontade do ser humano de vir a ter, no dia a dia, um assistente no seu trabalho, algo que lhe permita ser mais rápido e eficiente, deixando-lhe mais espaço para a criatividade e para o que verdadeiramente acrescenta valor. Um desejo que se tornou agora mais viável com os Agentes de IA que se podem tornar verdadeiros “colegas de trabalho”. Uma mensagem ficou clara: podemos criar valor, mas também desigualdades se todo este “admirável mundo novo” não for acompanhado de requalificação e de investimento em competências humanas.
Num contexto geopolítico desafiante, com o Índice Global da Paz a atingir mínimos históricos, o investimento militar europeu cresceu, com o Fundo Europeu de Defesa a alocar mais de mil milhões de euros em tecnologias como cibersegurança ou ambientes de simulação e treino digital para capacitação militar virtual, provando que a inovação continua a ser impulsionada também pela necessidade de segurança.
Em resumo, 2025 foi, talvez, um ano de menor deslumbramento tecnológico, mas maior consciência e responsabilidade. Para não se perder o rumo da humanidade, uma lição que poderemos retirar é que toda esta transformação, mais do que tecnologia, exige uma mudança de mentalidade e compromissos éticos. E ficou mais claro também que a tecnologia não é neutra e pode criar valor ou exclusão.
Votos de um excelente ano de 2026!
