Opinião – De-mo-cra-cia, soletrada em Coimbra

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Em última instância é quem detém o poder que deve envidar todos os esforços para se encontrarem soluções. Aos cidadãos, empresas e demais instituições só faltava mesmo que a Câmara Municipal não tivesse orçamento e plano aprovados. A responsabilidade é de todos os partidos e movimento independente. É importante que cada um perceba qual é o capital político que lhe foi conferido por quem votou. Temos um executivo camarário liderado pelo PS que não tem maioria e este facto obviamente deveria ter mudado o modo de governação. Por outro lado, quem perde deve perceber que não pode , nem deve submeter o seu programa ou condições que possam alterar estrategicamente a ação de quem ganhou. É neste equilíbrio democrático que todos devem agir . Ou deveriam.

Ao final de quatro anos de mandato, é o atual executivo que deve ser julgado. O chumbo do orçamento resulta da falta de total entendimento e até de esforço para tentarem chegar a uma solução possível que, naturalmente , não coincidiria com a última vontade de cada uma das partes. Foi assim que o Povo de Coimbra quis. Quis que ganhasse o PS e o Dr Manuel Machado, mas que governasse com o cuidado de ouvir a oposição e daí retirasse as devidas ilações para o seu governo. Não sabemos quantas reuniões houve entre o executivo socialista e as outras partes, mas do que é dado a conhecer, quase nenhuma ou nenhuma. Não sabemos se houve alguma tentativa.

A julgar pelas várias conferências de imprensa, não houve diálogo. Todos se mostraram abertos, mas todos queriam ficar na sua razão. Esta política partidária de quem já não consegue deixar de lado as diferenças pessoais , prejudica a vida coletiva da cidade e do concelho de Coimbra. A maturidade democrática revela-se nestes momentos e é caso para perguntar se perceberam bem o que fizeram. Desde a governação indiferente à minoria que detém, à oposição que carrega o ónus de obstaculizar a ação de uma câmara que, já por si e normalmente, não é propriamente brilhante. Aos cidadãos não interessa se os seus políticos locais se dão ou não se dão bem. Aos cidadãos interessa reconhecer maturidade nos seus agentes políticos locais e que saibam ser capazes de se juntar à volta da mesa com vontade de solucionar, apesar das suas diferenças.

Hoje na vida política local parece haver tempo para tudo, menos para o que é importante. Estamos todos atentos ao que aí vem e não nos passa pela cabeça que a cidade ainda fique mais para trás por causa desta incapacidade. De qualquer modo, só há solução se todos mudarem um pouco que seja porque, realmente, nenhum tem toda a razão. Isso deu para perceber a partir do conteúdo de todas as conferências de imprensa. Esta vivência democrática será essencial e só será possível se houver respeito mútuo, até porque ninguém ficou bem nesta fotografia. É caso para dizer que a democracia dá muito trabalho e que o bom senso deve vencer sempre a prepotência e a sofreguidão. Os mandatos são de quatro anos e devem ser cumpridos por quem tem essa responsabilidade, com o equilíbrio de forças que as pessoas quiseram. Só isso e sem fogo de artifício.

 

Paulo Júlio escreve ao sábado, quinzenalmente

2 Comments

  1. Diz Paulo Júlio e muito bem:

    “Por outro lado, quem perde deve perceber que não pode , nem deve submeter o seu programa ou condições que possam alterar estrategicamente a ação de quem ganhou.”

    Onde esteve ele quando em 2015 foi formada a “geringonça”? Qual foi a sua indignação?

    • Poortugues says:

      As leis que regem a Assembleia da República (onde se elegem deputados que depois votam um orgão executivo – o Governo) são bem diferentes das que regem uma Assembleia/Câmara Municipal (onde se elege especificamente o orgão executivo – presidente da câmara e seus vereadores).

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