Opinião: Loucuras de governantes e gestores

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Portugal sofre agora problemas graves como resultado de loucuras de governantes e de gente da finança e da indústria, que resultaram em buracos financeiros nos bancos ou em falhas da gestão da terra e do mar, sem que ninguém em tempo oportuno os parasse na sua sanha destruidora das riquezas coletivas.

Ninguém como Jorge Peixoto, que publicou a correspondência entre Joaquim Bensaúde e Cândido Nazaré, disse o que sobre o Dr. Luciano Pereira escreveu em nota de rodapé: “Refere-se ao professor de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e grande estudioso das nossas cosmografia histórica e marinharia. Foi assassinado em 1926 por um louco na sua terra natal, Caminha, onde nascera em 1864.1 ”

Estamos assim no centro de um drama também coletivo, que acontece quando a inteligência é destruída pelo capricho de um qualquer louco com poder. Mas existem por aí homens cujo poder real ou ficcionado influi na vida de gente que fica martirizada e lesada, e sempre sem que tenham a justiça que merecem. Mas, tudo se esquece e desculpa quando os perdedores são os vulgares trabalhadores ou quando são os aforradores, que confiaram a banqueiros sem pingo de vergonha.

E tudo isto aconteceu recentemente por haver bancários que não tiveram coragem de dizer não ao Dono disto tudo. E assim há os que comandam o mundo pelo medo, amochando os restantes, havendo até quem os louve e incense. Contudo, sei pelo Facebook que “ o tribunal de Vila do Conde condenou os dois sócios gerentes da empresa Transportes Matos & Filhos, Ld.ª, a penas de prisão de 3 e 4 meses, substituídas pelo pagamento de 9€ por dia, por práticas antissindicais na forma de pressão e coação a trabalhadores da empresa para não se sindicalizarem.” (ver https://www.facebook.com/search/top/?q=usvc%20viana, acesso em 10/4/2018 ).

Contudo, só vemos que há rebeldia generalizada quando o lesado é um clube de futebol, e só porque perde valor como marca que veicula publicidade, fazendo perigar os negócios que viabiliza e promove. Aconteceu por terem sido agredidos os jogadores que são ativos valiosos. Mas logo se esquece que também são trabalhadores que foram agredidos nos seus brios profissionais e nos salários. Acontece tal coisa só porque são bem pagos e disso se faz publicidade.

Mas, aquilo que no caso do Sporting move muita da contestação é o facto de haver gente poderosa, que vê as suas ações desvalorizadas e vê assim perigarem os poderosos efeitos da publicidade na vontade de comprar dos consumidores, pondo em risco os oligopólios da atual economia global.

1 Jorge Peixoto – Correspondência de Joaquim Bensaúde para Cândido Nazaré: Chefe das Oficinas da Imprensa da Universidade de Coimbra, Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural Português, Paris, 1980.

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