Agente da PSP acusado de matar suspeito de assalto diz que disparo foi acidental

O Tribunal de Leiria começou esta segunda-feira (16) a julgar o agente da PSP que, em março de 2008, terá matado um suspeito de assalto a uma antiga fábrica de plásticos, num disparo que o arguido diz ter sido acidental.

O Ministério Público (MP) acusou o polícia de homicídio por negligência por alegadamente ter violado “o dever de cuidado”. O arguido, por seu lado, afirmou esta segunda-feira que só mais tarde se apercebeu de que tinha atingido o suspeito.

Segundo o agente da PSP, no dia 15 de março estava a fazer patrulha com um colega quando foi informado pela esquadra de que teria de se deslocar a uma antiga fábrica de plásticos em Gândara dos Olivais que estava desativada, por suspeita de assalto. Ao entrar no armazém, cruzou-se “com dois vultos”, que fugiram de imediato. “Fomos [o agente e o colega] atrás deles e gritei: ‘Polícia, parem, parem’. Depois, disparei um tiro para o ar”, contou o arguido ao juiz.

O agente acrescentou que voltou a pedir para pararem e assegurou que os suspeitos nunca obedeceram à ordem policial. “Ia em passo de corrida quando me desequilibrei para a frente e baixei um pouco a arma, que disparou”, disse. Referindo que não se apercebeu de que tinha atingido alguém, o arguido adiantou que “só quando ele [vítima] começou a gemer é que soube que tinha levado o tiro”.

O agente afirmou ainda que destrancou a sua arma, uma Beretta nove milímetros, pois “não sabia se os suspeitos estavam armados”. Além disso, o local “era muito escuro e não dava para ver o que traziam nas mãos”. O colega do arguido, que o acompanhava naquela noite, também referiu ao tribunal que desconhecia se os suspeitos estavam armados e não associou a queda de um deles ao tiro.

“Não vi nada. Eu ia a correr atrás do outro suspeito e só me preocupei com isso”, referiu, admitindo que, tendo em conta a distância próxima que distava do suspeito atingido, poderia ter sido ele a sofrer o tiro disparado pelo colega. O outro suspeito do assalto disse no julgamento que, depois de ter sido detido, ouviu o irmão referir “não sei o que me fizeram, mas já não sinto o corpo”.

O MP arquivou este processo em 2009 por entender que “o ato que originou a morte não [era] passível de ser enquadrado num ato criminoso, no sentido em que [revelasse] a prática de um crime de homicídio por negligência”. No entanto, a família da vítima pediu abertura de instrução e o juiz ordenou a realização de julgamento, que prossegue agora no próximo dia 23, pelas 14H00.

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