Interesse público ditou a junção dos lotes no Bota-Abaixo

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Mais de nove horas de sessão. Foi, assim, o segundo dia do julgamento de Luís Vilar e Domingos Névoa. O empresário estreou a sala para confirmar o empréstimo de 50.000 euros, sem juros, ao outro arguido. As razões: relação próxima com o advogado Vespasiano Macedo e Vassalo Abreu e porque “não lhe podia dizer que não”. Névoa referiu mesmo que nunca falou com Vilar sobre o negócio do Bota-Abaixo e que, no caso do empréstimo, desconhecia que este fosse vereador à altura.

O engenheiro Fernando Rebelo disse desconhecer que o edital de venda dos dois lotes do Bota-Abaixo estaria, no caso do lote 2, contra o Plano Diretor Municipal já que não previa estacionamento. Erro esse depois confirmado pela chefe de divisão de solos da altura, Maria da Conceição Pinheiro. Mas o momento mais acalorado da manhã coube a um inspetor da Polícia Judiciária. Os advogados de defesa – Castanheira Neves e Artur Marques – requereram que este não prestasse depoimento, mas a presidente do coletivo, Elisabete Coelho, negou a pretensão. Consequência direta: Castanheira Neves teve uma acalorada discussão com o agente sobre a forma como chegou aos 450 mil euros não justificados nas contas de Vilar. O empresário Samuel Carrilho explicou que a venda do principal lote do Bota-Abaixo para a Bragaparques representou uma “oportunidade de negócio”.

Ruivo e Rochette

O presidente do Centro Distrital de Segurança Social revelou os contornos do negócio não concretizado, por parte de Névoa e com o apoio de Vilar, de aquisição do local onde os funcionários da Segurança Social estacionam na Fernão de Magalhães. Terreno que, desde 2004, pertence ao Instituto de Gestão Financeira. Já o docente de Geografia acusou Vilar de uma vez o ter advertido para não abordar a construção do oitavo piso dos Jardins do Mondego, pelo promotor Emídio Mendes ter oferecido em 2005 um donativo ao PS.

O presidente Manuel Machado reconheceu que a Bragaparques ao pretender fazer a junção dos dois lotes para construir um parque de estacionamento só poderia ser aprovado pela câmara. “Interesse público”, frisou.

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