Vamos a isso
Quando o tempo das vindimas corre contra as vinhas e contra o calor e a apanha da azeitona se anuncia, os mais novos da casa fazem a mochila (no meu tempo era uma bolsa de pano ou de cartão) onde zelosamente arrumaram cadernos, lápis, canetas e borrachas e veem se o portátil está em condições e preparado para um triunfal regresso às aulas.
A pergunta, este ano, é esta: quantos alunos vão ficar sem professores durante o ano letivo? Com um ministro que sempre que fala de educação o faz com uma ligeireza que arrepia, anunciando o que qualquer utente do sistema educativo sabe que não é possível de se concretizar, não se augura um ano letivo fácil e bem ordenado.
Os milhares de professores em falta não são substituídos pela boa vontade do doutor Fernando Alexandre; a efetiva carência em todo o mundo de quem considere a docência uma profissão aliciante, porque bem remunerada, porque capaz de realizar pessoalmente quem a ela adere, porque ainda não foi encontrado o elixir do bom relacionamento dentro das escolas e das salas de aulas são razões básicas para o deficit que virá este ano e para o ano e para o outro ano se não forem alteradas substancialmente as condições que balizam a profissão. É verdade que nos últimos anos tem havido um acrescido número de professores a entrarem no sistema, mas inegavelmente em número bem inferior aos que seriam necessários ou seja, os que entram no sistema não correspondem aos que dele saem, seja por aposentação, seja por cansaço seja por doença.
Daí que não valha a pena fazer discursos demagógicos que a prática quotidianamente nega. Mas sobre isso teremos oportunidade mais lá para a frente no tempo, de falarmos ainda que, se a minha desconfiança se mostrar enganosa, eu fique bem contente.
Uma boa notícia é a de que o edifício da Eugénio de Castro, no centro da cidade de Coimbra, passou por uma profunda requalificação e aparece agora todo ele de cara lavada, desejando-se que os alunos estimem a sua escola e mostrem que uma casa de educação deve ser, em todas as circunstâncias, uma casa de educação.
Aproveito para reiterar o meu repúdio pelo vandalismo de que tem sido objeto a Escola Secundária José Falcão. Não dá mesmo para entender. Com certeza que a falta de vigilância noturna abre a porta aos vândalos que, lamentavelmente, “escaqueiram” um património que a todos pertence, inclusivamente a eles próprios, destruidores mal educados e sem responsabilidades sociais.
Uma outra realidade, pela negativa, não pode ficar no segredo de quem o possa achar normal. Já aqui dei nota, há alguns meses, da posição de algum ou alguns condóminos de um edifício da Figueira da Foz onde estão instalações da APPACDM do concelho.
Vou escrever letra a letra o que quer dizer a sigla: Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental. Há uns meses, a Câmara Municipal da Figueira da Foz, perante uma queixa que lhe foi presente, tentou medir o ruído de que se queixava uma habitante do prédio a qual, segundo informações que reputo de muito fidedignas, impediu a entrada da equipa encarregada dessa medição. Isto é: a senhora queixa-se do ruído feito pelos utentes, mas não deixa que se verifique a realidade.
O que vale a pena perguntar e saber é até que ponto estamos perante uma tentativa de exclusão dos cidadãos diferentes numa sociedade que luta pela inclusão. A falta de sensibilidade é esmagadora e triste para quem, como eu, tem dezenas de anos a lutar por uma sociedade inclusiva, onde todos tenham os direitos consentâneos com as suas capacidades.
Espero que quem de direito encontre o bom senso e o ponto de equilíbrio que permita a todos viverem tão felizes quanto possível num mundo que é bem estranho para os que mais necessitam de o ter.
Uma referência à passagem dos Institutos politécnicos a Universidades Politécnicas, satisfazendo um velho sonho de professores, funcionários e alunos destas casas de educação e de formação.
Haverá seguramente muitas críticas a esta decisão que mexe com a lei de bases do sistema educativo. Mas as coisas são como são e a roda não gira para trás.
Uma nota final: votos a todos os professores e alunos a quem se deseja um ano letivo realizador (de sonhos, talvez) profissional e pessoalmente a quem continua a teimar que a ESCOLA é mesmo o espaço onde crescemos todos um pouco. Para o fim do ano letivo cá estaremos (espero…) para fazer o balanco.
Viva a Escola!
