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Que compensações deve Coimbra exigir?

28 de outubro de 2026 às 10 h15

Este título surge na sequência de notícias vindas de Vila Nova de Gaia (com analogia em Coimbra). Em Gaia, tanto o Presidente da Câmara como a oposição vieram exigir compensações ao Governo devido aos impactos da construção da estação de alta velocidade na zona de Santo Ovídio, em contraste com a alternativa em Vilar do Paraíso, que defendem.

Santo Ovídio é uma área urbana central e articulada com as linhas amarela e rubi (em construção) do Metro do Porto, favorecendo a intermodalidade e o transporte coletivo. Vilar do Paraíso é um local periférico, com a barreira da autoestrada A1 face ao núcleo urbano, com menor complexidade de construção, mas sem integração de transportes, promovendo as deslocações automóveis.

Em suma, Gaia pretende contrapartidas pelo facto de o Governo querer investir em Gaia, seguindo as boas práticas de planeamento. É uma perspetiva digna de um sketch: Querem beneficiar-nos com um investimento estruturante que nos dará acesso privilegiado à alta velocidade para todo o sempre? Então paguem pelos incómodos que as obras nos vão causar no curto prazo!

Por outro lado, em Coimbra e na Região Centro, não faltam razões verdadeiramente legítimas para exigir compensações à Administração Central. Listo apenas 10, sem ordenação específica:
• IP3 – esta estrada liga a Figueira da Foz a Chaves, numa extensão de 280 km. É absurdo que o troço mais relevante e de apenas 80 km, entre Coimbra e Viseu, seja o único que não está convertido em autoestrada. Nem vai estar (pelo menos até 2034) pois a região deixou-se enganar pela Administração Central, que usou deliberadamente as palavras “duplicação do IP3” para fazer crer que isso significava uma autoestrada. Só que uma via duplicada, com curvas apertadas e circulação máxima a 90 km/h, é muito diferente de uma autoestrada.
• Novo aeroporto – o estudo sobre a mais relevante infraestrutura de transportes portuguesa teve apenas em conta a Região de Lisboa, ignorando o restante país. O Centro é a única região portuguesa, e uma das poucas regiões europeias, que não possui um aeroporto próprio. Por esse motivo, deveria ter sido considerada. A opção de localização na margem sul do Rio Tejo, quando 78% da população portuguesa vive a norte, e sem qualquer articulação com o sistema de transportes (nomeadamente, por comboio), reduz a acessibilidade real ao aeroporto, com prejuízos sérios para a Região Centro.
• Linha da Beira Alta – esta linha ferroviária foi intervencionada recentemente. Mas, ao contrário dos 9 meses previstos para obras, a linha ficou encerrada durante cerca de 3 anos, causando prejuízos graves e até irreversíveis – tanto para a coesão regional Litoral-Interior, como para as empresas nacionais de logística ou exportadoras. Ainda por cima, as obras não trouxeram os ganhos de eficiência nem a redução de custos de transporte desejados.
• Plano Rodoviário Nacional (PRN2000) – este plano prevê um conjunto de eixos estruturantes que não foram concretizados. Destaca-se o IC6, construído apenas pela metade, mas também o IC7, o IC37 e o IC31 que não foram sequer iniciados. A Região Centro é aquela onde falta construir mais quilómetros de vias definidas no PRN 2000.
• Nova Maternidade e Novo Palácio da Justiça – o que dizer de décadas de sucessivos adiamentos? Atualmente, o primeiro aguarda o lançamento do concurso de empreitada e o segundo está em fase de elaboração do projeto. Em ambos os casos, Coimbra e a região continuam a aguardar pela sua efetiva concretização.
• Penitenciária – a manutenção de um estabelecimento prisional de nível de segurança alta, no coração da cidade, é incompreensível. E neste caso, a substituição por novas instalações não está sequer em ponderação.
• Hospital dos Covões – pior do que não fazer novo, é desfazer o que já existe, eliminando capacidade instalada. A desativação gradual dos Covões é uma clara opção de desinvestimento em Coimbra, por parte da Administração Central, que nunca foi cabalmente justificada.
• Ponte Rainha Santa Isabel – esta ponte urbana foi projetada com dois tabuleiros: um superior, para automóveis, e um inferior, para peões e ciclistas. Este último existe, mas devido a problemas na fase de obra, ficou sem condições de ser usado e nunca foi aberto! Em vez de unir margens, esta infraestrutura vital ficou amputada e concretiza apenas metade do seu potencial.
• Metrobus – o sucesso atual não deve fazer esquecer que: levou décadas a ser concretizado; o projeto inicial consistia num investimento superior, em elétrico rápido de superfície; entre o levantamento dos carris e a abertura do metrobus, decorreram 15 longos anos de serviço provisório de transporte em autocarros; o metrobus está amputado face ao projeto original, por exemplo, na ligação à Universidade, ficando-se pela Praça da República.
Estes exemplos configuram várias situações: todas da responsabilidade da Administração Central e em que Coimbra e a Região Centro são fortemente prejudicadas. No curto prazo, há novos casos a merecer atenção, como a Alta Velocidade ferroviária, a demolição dos viadutos da Casa do Sal, a interseção do Almegue, o prolongamento da A13, e a barragem de Girabolhos.

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