Opinião: Planeta X e outras Pérolas
Do vasto universo onde vivemos, o sistema solar é um pouco como o nosso “quintal”, que julgamos conhecer como a palma das nossas mãos. Sabemos dos 8 planetas e das suas luas, sabemos de centenas de milhar de asteróides, de milhares de cometas, uns que voltam a cada década e outros que por nós passaram e só nos visitarão passado um milhão de anos, e sabemos de algumas centenas de outros objectos misteriosos que não encaixam em nenhuma categoria. Mas também sabemos que há muitos mais objectos que ainda não detectámos, ou porque são pequenos, ou porque estão muito longe, ou ambos.
Em 2025 entrará em actividade no Chile o novo Observatório Vera Rubin (VRO), que é especial porque observa simultaneamente mais profundo e em maior quantidade. Vera Rubin ( 1928-2016 ) foi uma astrónoma americana que deu passos importantes no estudo da matéria escura. Rubin efectuou observações de galáxias espirais cuja estrutura não seria possível sem a presença – para além das estrelas e gás que vemos – de algo mais, invisível mas com massa gravítica, a que passámos a chamar matéria escura.
A missão do VRO é mapear o imenso céu segundo uma grelha, como fotografias impressas em azulejos. Começa-se numa ponta a tirar fotografias e ao fim de 2 ou 3 noites temos o céu todo. Mas depois volta-se ao início, para ver se alguma coisa mudou ou se mexeu. Sim, no sistema solar está tudo em movimento e são precisas várias imagens para descobrir novos objectos (pontinhos luminosos nas imagens) à medida que passam de um azulejo para outro. O VRO vai fazer este mapeamento automático, e computadores poderosos vão à procura dos pontinhos de luz itinerantes, tipo “descubra as diferenças”.
Por entre inúmeras descobertas “mais-do-mesmo” temos esperança de avistar no nosso quintal verdadeiras pérolas astronómicas. Por exemplo, um “cometa novo” apanhado a tempo de o interceptar com a sonda “Comet Interceptor” da ESA a lançar em 2029. Um cometa novo é uma relíquia que esteve congelada na distante nuvem de Oort e que, ao regressar pela primeira vez, nos vai mostrar como era o sistema solar à nascença. Também encontraremos espécimens interestelares que passam pelo nosso “quintal” a alta velocidade: são cometas de outros sóis. Mas a maior pérola seria uma imagem do esquivo Planeta X na sua órbita além Neptuno. Por enquanto é só uma teoria, baseada numa espécie de sombra gravítica que deixa em órbitas de objectos transneptunianos. Será desta que o descobrimos?

