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Opinião: A skill essencial

30 de junho de 2025 às 09 h10
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Escrevi, no passado recente e em várias ocasiões, ser uma pessoa absolutamente convicta de que o principal activo de uma empresa é o seu quadro de colaboradores. Não obstante a tecnologia estar a evoluir a um ritmo frenético — em particular no capítulo da inteligência artificial —, ainda são as pessoas, nas suas múltiplas valências e vontades, que podem fazer a diferença entre colocar as empresas na senda do desejado sucesso ou do doloroso fracasso.

Com igual nível de convicção, vejo-me como um ser em eterna construção, onde nunca o conhecimento é total, onde há sempre algo a aprender (seja com quem for) e onde o que pensamos vai sendo moldado pelo que vemos, ouvimos ou lemos, que reconhecemos como certo e possível de ser utilizado na nossa vida. Em muitas dessas ocasiões fazemo-lo de forma inata, sem ter a noção de que estamos a replicar algo que alguém fez, disse ou executou.

Numa empresa em franca expansão e com uma necessidade de ganho de escala muito intenso — como aquela onde, profissionalmente, desenvolvo a minha actividade —, o processo de seriação e admissão de novos colaboradores é particularmente importante. Importante porque importa disponibilizar o número de pessoas necessário para que os processos funcionem, mas também porque o perfil dessas pessoas impactará, objectivamente, tanto na qualidade dos processos como na qualidade global das equipas onde estas serão integradas. É aqui que podemos abrir o tema a reflexões complexas, mas que inevitavelmente, no final, se resumem a algo tão básico e essencial que até custa acreditar que assim o seja.
Na análise de um currículo avaliamos muita coisa: a idade, o género, a formação académica, a formação profissional, a experiência, as skills. Tudo e mais um par de botas, se necessário for. Mas, como li recentemente num texto de outrem: o que verdadeiramente importa estará lá? A questão-chave, que deveria ter resposta obrigatória e, acima de tudo, ser possível de validar antecipadamente é: és boa pessoa?

Esta foi a pergunta que li e que, confesso, me fez pensar. O que é que uma empresa precisa acima de qualquer outra coisa? Boas pessoas.

As boas pessoas serão sempre capazes de aprender, serão sempre capazes de aceitar ensinamentos. Serão sempre capazes de ensinar e seguramente nunca o farão em prejuízo de ninguém. Só com boas pessoas se consegue constituir uma boa equipa de trabalho. Ainda que o currículo possa ser vazio em certos aspectos, ainda que não se identifique na entrevista aquilo que aparentemente é necessário, a essência de uma boa pessoa, de alguém com princípios, suprimirá essas lacunas com a aprendizagem do dia-a-dia.

Um currículo de fazer inveja, dotado de todos os níveis de qualificação e experiência, portado por um ser que não tenha a capacidade de respeitar os que o rodeiam, de nada valerá.

No final, tudo se resume mesmo ao mais simples. Do berço, dos ensinamentos de quem nos educa e da nossa capacidade de moldarmos o nosso feitio, nasce a possibilidade de nos tornarmos boas pessoas. E, se disso formos capazes, no momento em que profissionalmente tivermos de nos afirmar, tornar-nos-emos bons profissionais.

Aquilo de que qualquer empresa mais precisa é de se sustentar em boas pessoas. Entre um currículo ainda fraco de uma boa pessoa e um currículo brilhante de um arrogante doutorado, escolherei sempre o primeiro.
Como li recentemente: “Se é boa pessoa, o resto aprende-se. Se não é, o resto pouco interessa.”
*Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

 

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