Opinião: A força do preconceito
Há vários dias que tenho andado a pensar na força do preconceito. Aparentemente é uma força destruidora e arrasadora. Consegue ‘deitar’ abaixo os melhores projetos e as melhores pessoas.
Quando aprofundo a ideia, cada vez me parece mais claro, que o preconceito não é uma força, mas uma fraqueza. Aliás, é a arma dos fracos.
Quando vamos a um dicionário encontramos que o pré-conceito é uma “ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial”. Se continuamos a ler o dicionário diz que o preconceito é uma “opinião desfavorável que não é baseada em dados objetivos”.
Vivemos de preconceitos. Consciente ou inconscientemente, temos preconceitos em relação a pessoas, a instituições, a cor de pele, a países, às pessoas portadoras de deficiência… até com pessoas e intuições que desconhecemos. Aliás, muitos dos preconceitos advém desse desconhecimento.
Trata-se dum desconhecimento e uma superficialidade subjetiva de análise que nos abre a porta da intolerância – que é a estação seguinte da ignorância.
De facto, como diz o dicionário, os nossos preconceitos não estão baseados em dados objetivos, nem em fundamentos sérios ou imparciais – vivem de opiniões. Opiniões que muitas vezes nunca foram validadas.
Na verdade, ‘vemos as coisas como nós somos e não como elas são’ (expressão atribuída a Anais Nin, mas que não se sabe a sua verdadeira origem). A realidade do mundo e do outro é mais condicionada por nós e pela nossa história, do que pela própria realidade e verdade do outro e do mundo.
Sempre foi assim, mas com as redes sociais, amplia-se os preconceitos, a desinformação, os estereótipos… perde-se o confronto e o diálogo com pessoas que pensam diferente.
Quem arrisca um pensamento ‘fora da caixa’ ou do ‘politicamente correto’ arrisca-se a ser atacado e esmagado nas redes.
Mas vamos ser honestos, todos nós somos preconceituosos – mais do que imaginamos. Só há uma maneira de ‘desconstruir’ essas barreiras – o encontro e a verdade, o diálogo e a escuta.
Precisamos de pontes, de atravessar fronteiras, de verificar as fontes, de escutar várias versões dos acontecimentos… de não sermos precipitados e de voltar atrás muitas vezes com o que dissemos ou com o que pensamos.
Jesus não era preconceituoso. A Igreja também não devia de ser. O estado ganha muito quando não é.
