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O porto deve voltar a ter administração própria?

19 de março de 2026 às 10 h00

A razão decisiva não é a concorrência com Aveiro, é a segurança!
Quando embarcações roçam o fundo da barra da Figueira da Foz por assoreamento é preciso decidir depressa: dragas, interdições, alertas a operadores. Essa decisão não pode depender de uma administração que, por estatuto, também gere o porto de Aveiro. Não é uma questão de proximidade geográfica — é uma questão de identidade institucional. A governação portuária é gestão de risco em tempo real. Esse tempo não espera por uma estrutura que, por desenho, não tem a Figueira da Foz como prioridade singular.
Há um segundo argumento que raramente aparece no debate: o Rio Mondego. A Figueira da Foz é a saída natural de uma bacia hidrográfica que serve Coimbra e o interior centro do país. Um porto autónomo pode desenvolver uma estratégia de hinterland própria — apostando na ligação ferroviária a Coimbra e ligando a Figueira da Foz às redes logísticas europeias —, sendo alternativa logística real para a Região Centro. Com a tutela de Aveiro essa visão nunca será prioritária.
Acresce que estão em curso investimentos superiores a 50 milhões de euros em navegabilidade e erosão costeira. Este volume exige foco de gestão, responsabilidade financeira clara e interlocução ágil com operadores, pescadores e autarcas. A partilha orgânica diluiu precisamente isso.
O modelo atual não falha por falta de boa vontade. Falha por design. A fusão administrativa foi uma lógica economicista, compreensível em 2008, anacrónica em 2026.
A autonomia não é separatismo. É racionalidade.

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