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O algoritmo escolhe. Tu obedeces!

26 de outubro de 2026 às 09 h30

Não duvidem, vivemos sob uma ditadura silenciosa! Muito mais súbtil que nos tempos da censura a jornais, proibição de livros ou golpes parlamentares. Hoje, “alguém” decide aquilo que vemos, aquilo que ignoramos e aquilo em que acreditamos. É a ditadura dos algoritmos: invisível, opaca e, demasiadas vezes, irresponsável.

Das escolhas políticas às decisões de consumo, das finanças à cultura, os algoritmos condicionam progressivamente a nossa liberdade e determinam que ideias ganham visibilidade, que notícias alimentam o debate público, que artistas chegam aos ouvintes e que produtos disputam a nossa atenção. Não são ferramentas neutras como nos querem vender… Não, são sistemas concebidos por empresas (conhecidas e com nome!), orientados por interesses económicos e capazes de influenciar comportamentos à escala de milhões de pessoas.

Quando o populismo gera mais cliques do que a serenidade, o extremismo torna-se um negócio. Quando a polarização aumenta o tempo de permanência nas plataformas, a coesão social converte-se numa variável dispensável. Quando a recomendação automática substitui a descoberta livre, a diversidade cultural cede terreno à uniformização. A democracia, o humanismo e a organização comunitária ficam reféns de mecanismos que ninguém elegeu e que poucos conseguem escrutinar.

Há, por isso, uma pergunta incontornável: se exigimos informação detalhada e rigorosa sobre a composição dos medicamentos, os alimentos vendidos nos supermercados e os compostos nos automóveis que utilizamos, por que razão toleramos tamanha opacidade nos sistemas digitais que moldam atualmente as nossas vidas?..

A transparência algorítmica não pode ser uma caixa negra e não é um luxo tecnológico! Os inúmeros e incessantes exemplos críticos de abuso algorítmico, impõem-nos conhecer os critérios de recomendação, compreender os mecanismos de amplificação, avaliar os riscos de discriminação e permitir auditorias independentes, protegendo simultaneamente o que não tenha relevo público. Já existem algumas leis por aí, mas são insuficientes e raras vezes aplicadas na plenitude!

Não basta responsabilizar o cidadão por aquilo que consome digitalmente. Nem pelas más opções que consequentemente faz!.. É necessário responsabilizar quem organiza, hierarquiza e condiciona essa escolha. Além do mais monetiza, monetiza e lucra!

A tecnologia deve servir a liberdade humana, não governá-la clandestinamente. Se não submetermos os algoritmos ao escrutínio democrático, arriscamo-nos a viver numa sociedade em que continuaremos a escolher, convencidos da nossa liberdade, sem perceber que “alguém” escolheu por nós!

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