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34º aniversário do programa de transplantação hepática em Coimbra

26 de outubro de 2026 às 08 h45

Há 34 anos, numa segunda-feira, realizava-se o primeiro transplante hepático em Coimbra, no qual tive o privilégio de participar, sob a liderança do Prof. Linhares Furtado, o nosso querido “mestre”, sem o qual não teríamos transplantação hepática em Coimbra.

Apesar das enormes dificuldades iniciais, a história do primeiro transplante hepático é um caso de sucesso, tendo sido também o primeiro transplante em Portugal realizado numa situação de emergência. Nasceu assim a Unidade de Transplantação nos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde o Professor trabalhou ininterruptamente até à sua aposentação, em 2003, aos 70 anos. O caminho percorrido desde então não se fez sem sobressaltos, mas a unidade perdurou até hoje, somando já 1904 transplantes de fígado, entre adultos, pediátricos, de dador vivo, de dador em paragem cardiorrespiratória (fígado veio de Espanha) e sequenciais ou dominó.

Os transplantes representam um enorme avanço da ciência ao serviço da humanidade. O Prof. Linhares Furtado foi um fiel intérprete deste princípio, criando, com a sua visão e liderança, a interdisciplinaridade indispensável a uma equipa de transplantação.

As marcas que o Prof. Linhares Furtado deixou não se limitam aos avanços na medicina, por todos conhecidos, mas estendem-se à forma como sempre a exerceu: a firme determinação na prossecução de objetivos, a exigência no trabalho de equipa, a vontade de fazer sempre mais e melhor, e a inexcedível dedicação aos doentes. Tudo isto aliado a um profundo sentido humanista, manifesto no respeito absoluto pelos doentes e pelos seus pares, no compromisso e na honestidade.

Como homenagem, pelos serviços prestados, foi criada, pela Unidade Local de Saúde de Coimbra, uma bolsa de apoio à investigação em transplantação hepática, com o seu nome, mas o melhor tributo que se pode prestar ao Prof. Linhares Furtado e à sua equipa é garantir a continuidade do programa de transplantação hepática e a salvaguarda dos valores inerentes à ação por si desenvolvida.

Disse quando foi homenageado com a inauguração de um busto, numa das rotundas dos Hospitais da Universidade de Coimbra que nunca pensou sequer ter uma fotografia num hospital, quanto mais um busto. Pois, como vê, querido Professor não terá um, mas dois, o segundo no átrio da Unidade de Transplantação Hepática.

E se é certo que um busto se pode quebrar, as marcas que gravou na história da medicina são indeléveis e jamais se apagarão.

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