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Mau tempo: Proteção Civil regista 5.793 ocorrências desde domingo

05 de fevereiro de 2026 às 13 h23
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A Proteção Civil registou 5.793 ocorrências relacionadas com cheias entre 01 de fevereiro e as 12:00 de hoje, indicou o comandante nacional do organismo.

“Em termos de números de ocorrência, temos a registar até ao momento 5.793 ocorrências, 20.328 operacionais envolvidos nestas ações e com um total de 8.007 meios terrestres”, disse Mário Silvestre na conferência de imprensa na sede Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, Oeiras, no distrito de Lisboa.

De acordo com o responsável, a Proteção Civil mantém a “vigilância com três helicópteros, que continuam a fazer a monitorização e avaliação de todas as zonas de impacto das cheias”.

Mário Silvestre indicou que as quedas de árvores continuam a representar um número significativo de incidentes, mas começam a ser acompanhadas pelo aumento das inundações.

“O número de inundações (…) está neste momento bastante elevado, com 1.593 ocorrências”, acrescentou.

O comandante nacional da Proteção Civil disse ainda que há várias localidades isoladas devido à subida das águas.

Em Santarém, permanecem cortadas Reguengo do Alviela, Valada, Porto da Palha e Caneira. No distrito de Coimbra, a localidade de Ereira, em Montemor o Velho, continua sem acessos.

No ‘briefing’ das 12:00, o responsável lembrou que as cheias continuam a obrigar ao realojamento de centenas de pessoas em vários distritos.

Mário Silvestre explicou que, em Santarém, há 53 pessoas deslocadas, “em virtude da [tempestade] Kristin”, acrescentando que há ainda 132 pessoas no Lar de Coruche, onde existe um plano pronto para eventual evacuação “se houver necessidade”.

Em Leiria, foram realojadas 145 pessoas, enquanto em Castelo Branco permanecem deslocadas 53.

No distrito de Setúbal, há 15 pessoas realojadas, incluindo oito acamados. Duas pessoas provenientes da Trafaria foram encaminhadas para um local de acolhimento temporário do Serviço Municipal de Proteção Civil.

Mário Silvestre explicou ainda que o plano especial para risco de cheias no Tejo foi elevado ao nível vermelho, após avaliação dos caudais e do impacto previsto, levando as autoridades a reforçar a coordenação distrital e a vigilância em toda a bacia hidrográfica.

“O Tejo tem um plano especial para risco de cheias […] e foi esse plano que foi elevado para o seu nível vermelho”, afirmou.

Segundo o comandante, os patamares do plano “estão diretamente indexados aos caudais […] que têm um ponto de referência que é a estação de controlo em Almourol”, no distrito de Santarém.

A decisão foi tomada após a reunião da Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém, realizada às 09:00 de hoje.

O responsável sublinhou que “só a bacia do Tejo é que tem um plano especial dentro deste nível de evolução, exatamente pelo impacto e pela dimensão da bacia”.

Depois da passagem da depressão Kristin, na semana passada, Portugal continental está agora a ser afetado pela passagem da depressão Leonardo, com chuva persistente e por vezes forte, vento e forte agitação marítima, tendo sido emitidos vários avisos laranja (o segundo mais grave) pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também algumas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Autoria de:

Agência Lusa

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