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Cuidar de Coimbra: um dever de todos

31 de agosto de 2026 às 18 h47

Cuidar de Coimbra é um dos maiores testes à nossa capacidade de governar com visão de futuro, mas é, acima de tudo, uma missão que nos convoca a todos, diariamente. A gestão dos resíduos urbanos enfrenta hoje uma pressão sem precedentes, impulsionada pela proliferação do consumo descartável e pelas dinâmicas próprias de uma cidade universitária vibrante. O verdadeiro desafio vai além dos números: exige um compromisso com o espaço público e com a comunidade que integramos.

 

“A recolha do lixo indiferenciado e dos biorresíduos, a varredura e a lavagem das ruas são da responsabilidade direta da Câmara Municipal, em articulação com as Freguesias e com operadores no terreno. Nessa parte, assumimos com transparência as nossas limitações e responsabilidades. Não nos remetemos à inação.”

 

Reforçámos o quadro de pessoal, com a integração imediata de 18 elementos, numa área com grande dificuldade de recrutamento pela natureza das funções. Estamos a renovar a frota técnica, com a aquisição de quatro viaturas que aumentam a capacidade de recolha de monos e de resíduos abandonados na via pública. Criámos uma equipa de fiscalização dedicada ao combate à deposição indevida, com incidência nas zonas envolventes aos ecopontos. Expandimos a rede de biorresíduos e de compostagem comunitária, com um impacto que já ultrapassa um milhão de euros em poupanças e valorização. Estamos a preparar também o futuro Ecocentro Municipal, que permitirá aos munícipes entregar resíduos volumosos e outras tipologias que não cabem nos contentores.

Sabemos, contudo, que grande parte da frustração sentida nas ruas decorre da outra metade do sistema. A recolha seletiva nos ecopontos, a triagem e o encaminhamento final competem à ERSUC, no âmbito do sistema intermunicipal. As falhas nessa recolha e a lentidão no esvaziamento dos ecopontos levam ao transbordo frequente de resíduos na via pública. Os custos reputacionais e operacionais caem injustamente sobre o Município e sobre a qualidade de vida dos cidadãos, mascarando o esforço diário do executivo. Estes constrangimentos têm sido reiteradamente colocados pelo Município à entidade gestora, e continuaremos a exigir-lhe que cumpra as suas obrigações, aumente a frequência de recolha e modernize os seus equipamentos.

Ainda assim, importa sublinhar uma verdade fundamental: um ecoponto temporariamente cheio ou a lentidão do operador não legitimam o abandono de lixo no chão. Abandonar móveis, eletrodomésticos ou sacos de resíduos na via pública não é uma resposta aceitável. A Câmara disponibiliza um serviço gratuito de recolha de monos mediante agendamento prévio, e usar os canais corretos é um dever cívico elementar. Perante atos reiterados de incivismo e deposição ilegal, continuaremos a agir com rigor, através dos procedimentos de responsabilização legalmente previstos.

A autarquia está a fazer o seu caminho, a investir recursos e a exigir responsabilidades a quem de direito, mas nenhuma frota de camiões, nenhum exército de cantoneiros e nenhuma tecnologia serão suficientes se não houver um compromisso individual de cada conimbricense. Uma cidade verdadeiramente limpa não é apenas aquela que se limpa todos os dias, mas sobretudo aquela que todos ajudam a manter limpa. Cuidar de Coimbra é uma responsabilidade de cada um de nós.

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