Coimbra

Cerca de 25 mil pessoas passaram pela Bienal Anozero em Coimbra

30 de junho de 2026 às 16 h12
Fotografia: DR

Cerca de 25 mil pessoas passaram pela Bienal Anozero em Coimbra, um número que cresceu face à edição anterior graças ao reforço da projeção internacional e ao aumento de visitantes locais, revelou hoje a organização.

“Objetivamente temos bastante mais público: cerca de 25 mil pessoas. Na última edição tínhamos tido cerca de 16 mil visitantes”, informou o diretor do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, Carlos Antunes.

Organizada pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra em conjunto com a Câmara Municipal de Coimbra e a Universidade de Coimbra, a Bienal Anozero arrancou a 11 de abril e encerrará no próximo domingo.

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Em declarações à agência Lusa, Carlos Antunes explicou que o número de visitantes resulta de uma estimativa, uma vez que a Bienal funciona sem bilheteira e algumas atividades decorreram em espaços sem controlo de entradas, como o Jardim Botânico.

“Depois de um início mais ou menos conturbado, as coisas começaram a crescer muito. Acho que isto tem muito a ver com a visibilidade da Bienal, do ponto de vista nacional e internacional, especialmente a visibilidade mediática internacional como nunca tivemos até agora, em alguns dos grandes jornais do mundo: o The Guardian e o New York Times”, referiu.

De acordo com o diretor do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, esta visibilidade internacional terá mesmo atraído visitantes estrangeiros a Portugal.

“Temos relatos de pessoas que vieram depois de ver notícias nestes jornais internacionais. Em alguns casos, a Bienal serviu de pretexto para a realização de férias em Portugal”, contou.

Também o crescimento do público local, ao longo desta edição, “foi notório”, estando hoje a Bienal “mais integrada nas dinâmicas culturais de Coimbra”.

“Hoje temos já uma geração que cresceu com a Bienal. Pessoas que tinham dez anos quando isto começou têm agora mais de 20 anos e cresceram claramente com este ritmo”, sustentou.

À Lusa, Carlos Antunes admitiu ainda que, apesar do sucesso em termos de público, a edição de 2026 enfrentou desafios financeiros, uma vez que o orçamento, na ordem dos 700 mil euros, não acompanhou a inflação nem crescente ambição do projeto.

“Apesar disso, crescemos do ponto de vista dos mecenas, das instituições que hoje apoiam a Bienal. O número de fundações aumentou – eram três e agora são cinco -, portanto tem havido um reconhecimento a nível nacional da importância da Bienal e temos hoje um apoio fundacional que não é nada comum em programas em Portugal”, alegou.

Quanto ao futuro, confirmou que o projeto “Solo Show” continuará assegurado e apontou para a realização da Manifesta 17 em Coimbra, em 2028, como uma oportunidade de transformação estrutural.

“A Manifesta será uma mudança de escala absoluta”, vincou, acrescentando que o verdadeiro impacto deverá ser medido a partir de 2030, quando a cidade e a Bienal começarem a colher os resultados desse processo.

O diretor do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra admitiu que a motivação é grande para a mudança de escala, embora o que mais lhe interessa seja o pós-Manifesta.

“O ‘ano zero’ será em 2030, quando já tivermos feito a Manifesta. Esse é o momento da verdadeira mudança, pois não podemos olhar para a Manifesta como uma coisa efémera, mas uma mudança da escala, da ambição, do impacto e também do orçamento: uma mudança da escala da Bienal e da própria cidade”, concluiu.

A bienal nómada europeia Manifesta, que este ano se realiza na região do Rhur, na Alemanha, estreia-se em Portugal em Coimbra, em 2028, também numa primeira coorganização com a uma entidade arística local e com uma iniciativa como a Anozero.

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