Plano Supramunicipal de Saúde da Região de Coimbra prevê 48 metas até 2030
Fotografia: Jot'Alves
O Plano Supramunicipal de Saúde da Região Metropolitana de Coimbra (RMC), hoje divulgado, prevê atingir 48 metas e realizar 104 ações e medidas até 2030, ambicionando o aumento dos anos de vida da população com saúde e qualidade.
O documento a que a agência Lusa teve acesso, com 182 páginas e o lema “Mais Anos de Vida com Saúde e Qualidade 2026-2030”, hoje apresentado publicamente na Figueira da Foz, corresponde à segunda fase de uma estratégia que começou pelos perfis de saúde de cada um dos 19 municípios da RMC (18 deles datados de 2025, com dados de 2024, à exceção do de Coimbra, concluído em 2020), reunidos depois, no final da primeira fase, num único perfil da comunidade intermunicipal.
A estratégia para os próximos cinco anos, agora divulgada, foi estruturada em redor de três eixos fundamentais – prevenção da doença e promoção da saúde, cuidar e reabilitar pessoas e territórios, e governança e participação – com o objetivo e a “ambição clara”, segundo a RMC, de “aumentar os anos de vida com saúde, reduzir desigualdades evitáveis e fortalecer a proximidade das respostas” às populações.
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Na sessão de apresentação, a cargo das investigadoras do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da Universidade de Coimbra (UC) Paula Santana e Ângela Freitas, coordenadoras científica e técnica, respetivamente, esta última pediu que o trabalho agora concluído “não fique na estante, mas passe para o terreno”, culminando numa região “mais saudável, inclusiva e sustentável”.
No eixo de prevenção da doença e promoção da saúde, o plano inclui cinco objetivos estratégicos (são 13 no total), 22 linhas de ação, 56 ações e 32 metas, entre as quais a redução de 25% dos doentes com diagnóstico de obesidade inscritos nos cuidados de saúde primários (CSP), outras reduções, estas de 10%, dos doentes inscritos com diagnóstico de diabetes e perturbações depressivas e 5% menos de doentes com hipertensão arterial.
Outra meta passa por reduzir em 15% a taxa de “internamentos evitáveis por prevenção primária”.
A redução em 20% de utentes sem médicos de família, em 15% a taxa de mortalidade prematura, em 10% da taxa de mortalidade por causas tratáveis, doenças respiratórias e circulatórias e, em 5%, por tumores malignos, são outras das metas enunciadas.
Já o segundo eixo do plano supramunicipal – cuidar e reabilitar pessoas e territórios – inclui também cinco objetivos estratégicos, entre os quais a promoção da continuidade de cuidados, fomentar a autonomia e a capacidade de autogestão da doença ou os ambientes comunitários inclusivos “que potenciem a reabilitação funcional, cognitiva e a reintegração social”.
As metas para 2030 recuperam, neste eixo, a redução da taxa de 15% de internamentos evitáveis por prevenção primária, e apostam, por outro lado, no aumento da cobertura territorial e de qualidade dos serviços, “assegurando respostas integradas de proximidade que viabilizem a continuidade de cuidados após alta hospitalar” ou mais respostas específicas para pessoas com demência e Alzheimer.
Apesar das metas preverem igualmente, entre outras decisões, o aumento da percentagem de doentes crónicos com acompanhamento articulado entre os setores da saúde e ação social ou com acesso a ferramentas de apoio à autogestão da sua doença, os investigadores do CEGOT avisam que para cumprir estes desígnios “é necessário dar início a um processo de recolha sistemática de dados”, indisponíveis aquando da realização do plano.
Outras metas sem dados disponíveis, onde os especialistas defendem um aumento da percentagem de utentes com acesso a essas respostas, são os programas de reabilitação física e cognitiva, fisioterapia, a referenciação pelo Serviço Nacional de Saúde de terapias termais e o número de utilizadores dessas mesmas terapias, entre outros.
Na governança e participação, algumas das medidas preconizadas passam pela melhoria da articulação e comunicação entre os municípios, unidades locais de saúde, setor social e comunidade, aumentar o número de autarquias da RMC integrados na Rede Portuguesa de Municípios Saudáveis ou fazer crescer a participação de cidadãos “nos processos de decisão ligados à saúde”.
