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Bitstrings: a base do mundo atual

14 de julho de 2026 às 09 h30

A digitização, a digitalização e a transformação digital são termos suscetíveis de causar confusão. Assim sendo, necessitam de esclarecimento. Ademais, representam, atualmente e de forma concreta, aquilo que está a acontecer em múltiplas organizações, além de serem avaliados como fenómenos tecnológicos contemporâneos nas empresas dos séculos XX e XXI. Com estes novos conceitos, tudo começa a funcionar de maneira diferente, o que significa que optar por esta via implica desenvolver formas inovadoras de fazer negócios, as quais irão exigir transformações significativas nas infraestruturas, entre outros aspetos.
Na verdade, existem presentemente plataformas que viabilizam a criação de empresas totalmente digitais, desde a criação e organização de documentos até aos contratos com clientes e aos recebimentos. Com a digitização, os dados circulam no meio digital, prescindindo da necessidade imediata de lidar com grandes volumes de papéis, o que simplifica a assinatura de contratos, o armazenamento das informações e a análise do comportamento dos consumidores.

No entanto, digitalizar não é o mesmo que digitizar documentos, pois pressupõe que toda a operacionalização do negócio assuma formato digital. A transformação digital, por sua vez, é o processo através do qual as empresas usam tecnologias digitais para solucionar problemas tradicionais de eficiência, eficácia e produtividade. A transformação digital não é um conceito prospetivo, mas algo atual, que exige das empresas o máximo de atenção para continuarem a ser competitivas; daí que, em nosso entender, resulte a irreversibilidade da transformação digital.

De facto, a transformação digital do tecido empresarial surge, nos tempos que correm, como uma inevitabilidade, devido ao impulso que imprime à vasta abrangência dos programas da Indústria 4.0, cujas múltiplas medidas estão direcionadas para impactarem profundamente os sistemas de produção e os modelos de negócio das empresas digitais e analógicas. O próprio Estado não se situa à margem deste fenómeno, atendendo a que o digital significa adaptação das organizações às necessidades sentidas pelos cidadãos, o que irá, de forma determinante, provocar importantes impactos na sociedade atual.

A economia digital deu origem ao conceito de “expetativas líquidas”, que representa um fenómeno que ocorre quando as experiências de um consumidor de determinado serviço se expandem, como padrão, para todos os restantes setores, noção que tanto pode ser percecionada como uma ameaça competitiva como uma oportunidade para alterar profundamente a cultura empresarial e organizacional.
A delimitação etária dos indivíduos por gerações, segundo Dimock (2019), é um instrumento analítico considerado muito importante, atendendo a que diferencia os indivíduos que nasceram já durante a evolução da digitalização daqueles que nasceram na época analógica. Isto significa que a exposição à tecnologia digital permite identificar os indivíduos, enquanto mercado, que mais viabilizam e ambicionam soluções digitais. Aparecem, como resultado, novos conceitos, tais como os prosumidores, a automatização e as já referidas expetativas líquidas, entre outros. Tudo isto dá origem ao homo digitalis, que ambiciona adquirir não só produtos de qualidade, mas também know-how ou inteligência digital.

Adicionalmente, as tecnologias digitais permitem que muitos bens físicos migrem para bens digitais, constituídos por bits, que estão a ganhar cada vez mais força no mercado e acabam por criar um cut-off, cada vez mais visível, entre a economia digital e a analógica. Tudo isto é alavancado pelas conhecidas bitstrings, sequências de dígitos binários, ou seja, séries de zeros e uns, passíveis de ser utilizadas para representar e manipular conjuntos de dados binários, que são o suporte das múltiplas linguagens de programação.

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