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APA vai realizar descargas de barragem na Guarda para reforçar caudais do Mondego

17 de agosto de 2026 às 20 h04
Descargas vão ser feitas na Barragem do Caldeirão | Fotografia: DR

Os municípios a montante da barragem da Aguieira estão preocupados com o reduzido escoamento no rio Mondego e já alertaram a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que está a acompanhar de “forma permanente” a evolução da situação.

“A APA prevê, ao longo desta semana, recorrer à água armazenada na albufeira da barragem do Caldeirão [no concelho da Guarda] para realizar descargas controladas, com o objetivo de reforçar temporariamente os caudais, melhorar as condições de escoamento e contribuir para a recuperação das condições ambientais do rio”, adiantou hoje aquele organismo em comunicado enviado à agência Lusa.

As descargas serão devidamente programadas e realizadas de forma controlada.

 

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O objetivo é “compatibilizar a necessidade de reforço dos caudais com os restantes usos do rio, (…) de modo a minimizar eventuais impactos nas zonas balneares localizadas a jusante, nomeadamente durante o período diurno”.

A ocorrência está a afetar os concelhos de Fornos de Algodres, Celorico da Beira e Guarda, no distrito da Guarda, e de Nelas, no distrito de Viseu.

A APA alega que as condições meteorológicas registadas nas últimas semanas têm contribuído de “forma significativa” para esta situação.

“De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), julho de 2026 foi, em Portugal continental, o mês de julho mais seco deste século e o oitavo mais seco desde 1931, tendo sido registada uma precipitação média de apenas 0,8 mm, correspondente a menos de 8% do valor normal para o mês”.

Esta precipitação “excecionalmente reduzida”, associada às elevadas temperaturas e à ocorrência de sucessivas ondas de calor, tem contribuído para uma diminuição acentuada das disponibilidades hídricas no Mondego.

“A reduzida disponibilidade de água começa também a produzir efeitos visíveis em zonas de menor circulação, empoçamentos e pequenas albufeiras, onde se observam sinais de eutrofização e de proliferação de algas”, é referido.

A APA alertou ainda para “os potenciais efeitos na qualidade da água e no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos”.

“Esta Agência continuará a monitorizar a evolução dos caudais e da qualidade da água e a fiscalizar os usos dos recursos hídricos a montante, com vista a assegurar uma gestão equilibrada das disponibilidades existentes”.

Com esta vigilância pretende-se também contribuir, “tanto quanto possível, para a reposição das condições adequadas aos diferentes usos do rio”.

“Os municípios envolvidos estão a acompanhar a evolução da situação em estreita articulação com a APA, considerando a proteção dos recursos hídricos, a salvaguarda da qualidade da água e a preservação dos ecossistemas.

A APA garantiu ainda que vai adotar, “sempre que necessário, as medidas adicionais que se revelem adequadas à evolução das condições hidrológicas e meteorológicas”.

De acordo com uma publicação do município de Celorico da Beira nas redes sociais, as descargas da barragem do Caldeirão estão agendadas para os dias 24, 25 e 26 de agosto, entre as 22:00 e as 05:00.

“Será efetuada a libertação de um caudal adicional de 5 m³/s, com o objetivo de assegurar o normal funcionamento das utilizações existentes no rio Mondego, nomeadamente o abastecimento de água às populações e o funcionamento da praia fluvial da Ponte de Juncais [no concelho de Fornos de Algodres]”, é referido.

Na informação divulgada, a autarquia recomenda à população e aos utilizadores do rio que adotem “comportamentos de precaução e evitem a aproximação ou permanência junto ao leito e margens do rio durante os períodos de descarga”.

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