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“A Europa constrói-se também a partir dos territórios”

17 de setembro de 2026 às 10 h45

O discurso sobre o Estado da União de 2026 deixou uma mensagem clara: a Europa precisa de ser mais forte, mais resiliente e mais capaz de decidir o seu próprio futuro. Num contexto marcado pela instabilidade internacional, pela transformação tecnológica, pelas alterações climáticas e por novos desafios económicos e sociais, Ursula von der Leyen colocou a autonomia europeia no centro das prioridades da União para proteger os seus valores.

Mas esta ambição europeia só terá verdadeiro significado se conseguir chegar aos territórios e traduzir-se em melhores condições de vida para os cidadãos. A Europa constrói-se nas regiões e nos municípios: nas empresas que investem e criam emprego, nas escolas, nos serviços públicos, nas respostas sociais, na gestão dos recursos naturais e na capacidade de garantir oportunidades a quem escolhe viver em cada território.

A competitividade foi, por isso, uma das grandes prioridades apresentadas. A Comissão Europeia pretende acelerar o Mercado Único, reduzir a burocracia, simplificar procedimentos e criar melhores condições para o investimento e para o crescimento das empresas.

Para a Região de Coimbra, esta discussão é particularmente relevante. Temos de continuar a criar condições para que as nossas empresas inovem, se internacionalizem e encontrem talento, aproximando o conhecimento produzido nas nossas instituições de ensino e investigação do tecido económico regional.
Também a transição energética e a adaptação às alterações climáticas assumiram um lugar central. A Europa pretende reduzir a dependência energética externa, acelerar a eletrificação e reforçar as redes, mas também preparar melhor os territórios para fenómenos extremos. Foram anunciadas novas iniciativas nas áreas da resiliência climática, da água, das ondas de calor e da prevenção e combate aos incêndios.

São desafios que conhecemos bem na Região de Coimbra. A gestão da água, a proteção da floresta, a prevenção de riscos, a eficiência energética e a capacidade de resposta da proteção civil não respeitam fronteiras administrativas. Exigem cooperação entre municípios, planeamento à escala intermunicipal e uma utilização cada vez mais inteligente da informação e da tecnologia.

A Inteligência Artificial foi outro dos grandes temas do discurso. A Comissão quer reforçar a capacidade tecnológica europeia e aplicar a IA a setores como a saúde, os transportes, a agricultura e a indústria, mantendo sempre a intervenção humana no centro das decisões. Também aqui a Região de Coimbra reúne condições importantes para contribuir: temos conhecimento, capacidade científica, empresas inovadoras e instituições públicas que podem utilizar a transformação digital para prestar melhores serviços e responder de forma mais eficiente às necessidades das populações.

Mas uma Europa mais competitiva e tecnológica tem de continuar a ser uma Europa social e territorialmente coesa. É particularmente importante a referência feita no discurso ao “direito a ficar”: a possibilidade de cada cidadão construir o seu projeto de vida no território onde deseja permanecer. Habitação, emprego de qualidade, cuidados, mobilidade e acesso aos serviços são condições essenciais para fixar população, apoiar as famílias e garantir que nenhum território fica para trás.

É esta a perspetiva com que devemos olhar para o futuro europeu a partir da Região de Coimbra. As grandes prioridades definidas em Bruxelas só serão bem-sucedidas se forem concretizadas nas comunidades e se responderem aos desafios específicos de cada território.

A Europa que queremos construir é, por isso, uma Europa que reconhece a importância das regiões, valoriza a cooperação entre municípios e transforma as grandes prioridades europeias em oportunidades concretas para os cidadãos.

Porque uma Europa mais forte começa, também, por territórios mais fortes, mais preparados e mais coesos.

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