Entre a “psicologia-máquina” e as “máquinas psicológicas”
Confrangedor e anedótico até, observar professores a aderir e debitar “IA de consumo” numa tentativa de domesticar um cavalo que nasceu para ser livre. Resultado : Euforia do Regresso às Aulas, em breve transformada em “Sopas de Cavalo Cansado”. Não há PISA nem futuro que resista à observação de políticos de “meia-tigela” a verberar sobre “IA de consumo”, como uma qualquer entidade domesticável – o gatinho lá de casa, sem o mínimo de preparação técnica e nem pedagógica para distinguir “IA de consumo”, da “IA de Produção” e ainda menos da “IA Executiva”. Não. Para estas “peças” anacrónicas de amanho da “res publica” é tudo a mesma coisa, passe o pleonasmo. Resultado : saber para onde vão fugir os portugueses em 5, 10, 15 ou 20 anos.
Tive um professor, Maia Gomes, que quando queria explicar-nos a mudança de domínios, dos tempos “t”, para a “Transformada de Z”, argumentava com “o indefensável penalty do Eusébio” : o guarda-redes estava e vivia em “t”, mas Eusébio chutava já na “Transformada de Z”. Resultado : era golo. O guarda redes não percebia que no remate do Eusébio, o futuro chegava antes do presente. Assim é a “IA Executiva e de Produção”, um lugar onde a imensa maioria de professores teimam em não encaixar, e políticos, esses então, fazem que entendem. Para eles, tudo é IA de Consumo, Generativa dizem, retorcida a partir do viés de quadros ordenados e determinísticos dos curriculos e avaliações (professores), e do viés da gritaria e da palhaçada (políticos, travestidos de influencers e comentadores para tudo e … um par de botas).
Vai quente a ideia de fim do mundo, vai fria a razão agorítmica, apocalíptica e demoníaca como convém a todos aqueles que, obrigados a concitar Atenção (uma nova moeda), insistem em estafados processos e métodos, que redundam quase sempre e inapelavelmente em ambientes de “Good News, are No News”.
A generalização da IA, na verdade um cocktail algorítmico, e não uma IA, está na base da tentativa de 10 mil agentes para encontrar uma solução (por derivadas parciais) para a equação de “Navier Stokes”, a qual pretende determinar circulação e fluxos de fluidos (ar, água ) em 88 minutos, para um prémio de um milhão de dólares oferecidos pelo Clay Instutute of Mathematics.
São necessários dois anos, pelo menos, para que a Comunidade Mundial de Matemática, com os melhores “Prémios Abel”, e os mais promissores “Medalha Fields” possam entender e decidir sobre a “Máquina Psicológica” montada através de 10 mil agentes de IA dotados (ou melhor, transtornados) de hiperatividade e défice de atenção, qua tale, 10 mil seres humanos superdotados e neurodivergentes se tratassem.
O neurocirurgião João Lobo Antunes costumava afirmar : “Quem só sabe Medicina, nem Medicina Sabe”. No mundo atual, qualquer exercício de redução ou simplificação sem a capacidade crítica e domínio sobre as neurociências, a psicologia e as ciência da cognição é puro exercício de especulação, anódino, anacrónico, num sem-sentido a raiar a loucura.
Para muitos, o iluminismo e a era da razão foram longe demais. Para Einstein a capacidade de imaginar é superior à faculdade de conhecer. E para o mundo que ora vivenciamos, as competências para ajuste e fine tuning (de adaptação) podem fazer emergir as Ciências da Antecipação como estratégia, e a “Psicologia-Máquina” como Agente Operacional capaz de realizar Futuros, antes mesmo do Presente !. Como no penalty do Eusébio, ou no “giz às cores” de Maia Gomes sobre a tela, uma litografia suave sobre lousa que. mais do que a memória, codificava as possibilidades abertas pelas aulas de Comunicação (Psicológica), Analógica e Digital.
