Devia haver um cais comercial na margem sul?
A avaliação da construção de um cais comercial na margem sul do Mondego exige racionalidade económica e evidência empírica. O Porto da Figueira movimenta aproximadamente 2 milhões de toneladas anuais e tem um papel estrutural nas fileiras florestal e vidreira. Contudo, os dados não evidenciam saturação da capacidade instalada a norte, fragilizando uma expansão imediata.
Os principais constrangimentos portuários residem na acessibilidade marítima: no calado, na operacionalidade da barra e na regularidade das dragagens, bem como na deficiente integração logística terrestre.
Analisado o custo-benefício, a implantação de um cais a sul configuraria uma duplicação ineficiente de infraestruturas, exigindo investimentos avultados em proteção costeira, dragagens e acessibilidade rodoferroviária.
A sustentabilidade financeira pressupõe procura adicional robusta, hipótese que as projeções macroeconómicas não corroboram.
Embora a proximidade ao complexo industrial da Leirosa possa gerar economias operacionais, o custo de oportunidade do capital público permanece elevado.
Uma intervenção de grande escala comporta riscos de agravamento da erosão costeira e compromete externalidades económicas do turismo e da pesca, dada a vulnerabilidade morfodinâmica da margem sul.
O erário público deverá ser prioritariamente orientado para a navegabilidade da barra e para a otimização da margem norte.
A construção a sul só deverá ser equacionada mediante procura demonstrada, financiamento estruturado, avaliação independente e mitigação dos impactos ambientais.

