Dia Internacional do Asteroide
Anteontem, 30 de junho, foi o Dia Internacional do Asteroide. O dia foi oficialmente reconhecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2016. A data foi escolhida por ter sido a 30 de junho de 1908 que se registou o maior impacto de um asteroide na Terra desde que os humanos andam por cá e escrevem o que aconteceu: o evento de Tunguska. Nesse dia, na Sibéria, a queda de um meteoro com um tamanho estimados de cerca de 50 metros devastou uma floresta até um raio de 25 km. Foram 20000 quilómetros quadrados de destruição. Felizmente sem vítimas humanas.
Durante muito tempo foi um mistério porque não havia uma cratera típica no local de impacto, mas sim um grande depressão onde estavam até árvores queimadas ainda em pé. Mais tarde compreendeu-se que o meteoro se pulverizou por completo mesmo antes de embater no solo — temos o hábito de dizer que explodiu, mas na verdade não explode como se fosse dinamite, pulveriza-se de forma violenta. A depressão foi criada pela onda de choque e não pelo impacto propriamente dito de um bloco rochoso. Curiosamente, esta é a forma que cria mais destruição e não é por acaso que as bombas atómicas lamentavelmente lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki explodiram antes de embater no solo.
Nos últimos anos, a cada vez que um asteroide passa muito próximo da Terra, ó costume ser notícia. Nem de propósito, a 27 de junho, o asteroide (152657) 1997NC1, com um diâmetro estimado entre os 750 e os 1650 metros, passou a cerca de 2,5 milhões de quilómetros de nós, um pouco menos de 7 vezes a distância da Terra à Lua. Este está bem monitorizado e não apresenta risco de impacto nas próximas décadas. Já no próprio dia do asteroide, passaram ainda mais perto três pequenos asteroides: 2026MJ1, 2026MD e 2026MW2. A designação provisória de asteroides com órbitas ainda mal conhecidas têm um primeiro número que é o ano da sua descoberta. Como se pode ver nestes três, foram todos descobertas apenas este ano.
Ora, se andamos ainda a descobrir tantos asteroide potencialmente perigosos, podemos sentir-nos seguros ou não? A resposta é: estamos a trabalhar para isso. A probabilidade é baixo, mas nunca é zero e é por isso que hoje vou comprar um Euromilhões. Com os enormes avanços recentes na sensibilidade das câmeras digitais, na robotização de telescópios e na construção de software para deteção automática, todas as semanas descobrem-se mais de 50 novos asteroides que passam perto da Terra — conhecidos pelo acrónimo inglês: NEOs. Para nos tranquilizar, sabemos onde estão mais de 95% dos que são maiores de 1 km: os verdadeiramente perigosos. Claro que… pode sempre vir por aí um que não tenhamos visto!
Basta um asteroide ter mais de 5-6 metros de diâmetro para representar algum perigo, mesmo que pequeno. Estima-se que só conhecemos 5% de todos os que estão entre os 30 e os 150 metros de diâmetro, e que só conhecemos 40% de todos os que estão entre os 150 metros e 1 quilómetro. Hoje, a prioridade é descobrir todos os que tenham mais de 50 metros. Por isso mesmo, desde 2019 a Agência Espacial Europeia (ESA) criou oficialmente o Programa de Segurança Espacial com um Gabinete de Defesa Planetária, tendo já um novo telescópio só para esse efeito, na Sicília, e estando a construir outro no Chile.
Trabalhar em Segurança Espacial é hoje uma realidade e cá, na Universidade de Coimbra, também o fazemos!

