A linguagem digital é universal
O conceito de empresa inteligente (Digerati, info savy, data driven ou AI First) significa uma aposta decisiva no uso de recursos tecnológicos, dados e processos que, por serem mais ágeis e flexíveis, alavancam tendencialmente a produtividade, melhoram a concorrência, e adotam, relativamente aos clientes, uma ótica customer centric. Mesmo considerados como emergentes, os recursos como a inteligência artificial, o machine learning e a internet das coisas, estão a ganhar uma maturidade crescente. De facto, ao racionalizarem e autonomizarem processos que tradicionalmente eram efetuados manualmente, viabilizam ao capital humano a participação em atividades criadoras de maior valor acrescentado.
A sociedade atual reflete-se frequentemente em tecnologias e software, o que significa que se está em presença de uma linguagem universal, que facilita a produção e partilha de conhecimentos. De facto, o software como conjunto de programas que viabiliza a realização de tarefas especificas em computador, assume-se cada vez mais como universal. Trata-se, por outro lado, de um serviço computacional utilizado para operar comandos nos sistemas computacionais, repensados como conjuntos de hardware com agilidade e capacidade para processar informações de um software.
Deste modo, o computador, a internet e o software produzem informação e potenciam o processo de comunicação, criando, deste modo, uma inteligência coletiva capacitada para gerar e aceitar uma revolução informacional, o que acontece aparentemente na sociedade digital, na qual as redes sociais refletem um conjunto intrincado de relações entre membros de um sistema social de múltiplas dimensões, em que o utilizador é cada vez mais um prosumer, que, para ser reconhecido, neste novo tipo de sociedade, deve ser criativo e influenciador, atributos que revelam potencial para afetar as tradicionais instituições da sociedade.
No extremo, tudo será completamente desmaterializado, substituindo os documentos de papel por ficheiros digitais, assumindo a economia a característica weightless economy, ou seja, uma economia do conhecimento, o que significa economia sem peso. Ademais, a expressão digital é essencial para entender a problemática de um novo tipo de convergência: a agregação de tecnologias, ou seja, a integração de múltiplos serviços de comunicação num único dispositivo. Esta evolução é possível porque a linguagem digital é universal e comum a todas as ferramentas tecnológicas. Neste período de transição, muitas empresas estão a adotar uma estratégia 020, que significa online to offline, em que os dois mundos se fertilizam mutuamente.
As sociedades estão em contínua evolução, e como diz Arthur Schopenhauer a vida é a mudança e esta é a essência da vida. A metamorfose, porém, não pode ser eminentemente técnica em virtude de estar associada a alterações profundas do mindset das pessoas, expressão que, entre outras coisas, integra compreensão ética, a definição de prioridades e novas visões do mundo.
De facto, sem uma reengenharia da internet, os novos sistemas, quaisquer que eles sejam, replicarão as mesmas complexidades e os mesmos erros de outrora. Em termos económicos, as inovações tecnológicas abriram o caminho para a indústria 4.0, a qual comporta soluções avançadas de fabrico, realidade aumentada, inteligência artificial, computação na nuvem e big data. Este novo conjunto de ferramentas viabiliza melhores condições de desempenho, favorece a criação de novos modelos e postos de trabalho, fatores que impactam positivamente na produtividade e na qualidade de produção.
Em termos europeus, assume-se, todavia, que a chave para mudar a sociedade europeia são os recursos humanos. Na verdade, no mundo do software e na sociedade digital, os cidadãos, além de terem um papel cada vez mais ativo, devem igualmente ser enquadrados em novas estruturas organizacionais, dotadas de menos formalismos e desenvolver a economia colaborativa. Neste desenho de sociedade futura, a desmaterialização é vital, bem como o processo estratégico da integração de tecnologias em todas as áreas da empresa. Na prática, a digitalização tem como objetivo básico melhorar a eficiência, apoiada na automação de tarefas, na análise de dados e na revolução de processos. Efetivamente, compreender a importância deste fenómeno requer uma tomada de consciência do impacto da tecnologia no quotidiano da vida das pessoas e empresas.
Desintegrar processos analógicos materializa-se na transformação de documentos e fluxos de trabalho em formato físico para o formato digital, utilizando, como base, metodologias automatizadas ou dotadas de IA. Este enfoque tem como objetivo exclusivo a eliminação da circulação de papel e gerar, em sua substituição, um sistema de gestão eletrónico, ou seja, um software. Como resultado, na sociedade de software eleva-se a eficiência e a produtividade, reduzindo-se, como resultado, os custos, além de se salvaguardar a segurança e de tudo se fundamentar em dados. Neste contexto, é importante entender a experiência do cliente, que é aperfeiçoada com o online to offline, que se traduz na integração e fertilização entre canais digitais e físicos para viabilizar, no mundo atual, a chamada personalização, conhecido processo de adaptar produtos, serviços, comunicações, necessidades e preferências ao histórico de cada individuo.
