Fundo de reabilitação urbana em Coimbra alarga área de intervenção
Praça do Comércio em Coimbra | Fotografia: Município de Coimbra
O fundo Coimbra Viva, detido maioritariamente pelo município, alargou a sua área de intervenção para toda a Baixa, Alta e zona da avenida Sá da Bandeira, após proposta da Câmara de Coimbra.
O fundo, criado em 2011 e que é gerido pela sociedade privada FundBox, funcionou até agora na reabilitação urbana de uma área delimitada entre a rua da Sofia, rua da Nogueira e rua da Moeda, junto ao canal do ‘metrobus’ da denominada Via Central, na Baixa de Coimbra.
Em janeiro de 2026, a área de intervenção foi alargada, “por forma a incluir as denominadas Áreas de Reabilitação Urbana Coimbra-Baixa, Coimbra Alta e Coimbra-Universidade/Sereia”, afirmou o Coimbra Viva, no relatório e contas consultado pela agência Lusa.
Questionada pela Lusa, a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa (PS/Livre/PAN), afirmou que o município propôs em assembleia do fundo o aumento da área de atuação, para permitir que proprietários com casas devolutas, mas sem capacidade para as reabilitar, as possam entregar ao Coimbra Viva, que permite a subscrição por espécie do fundo.
“Os proprietários de casas [devolutas] podem entregá-las ao fundo e o fundo reabilita a casa. O fundo é obrigado a distribuir os dividendos e, para quem muitas das vezes não tem possibilidade de fazer a obra, obtém ali um rendimento”, aclarou, referindo que, com a entrega do imóvel, o proprietário passa a deter uma participação do Coimbra Viva.
“Agora, há uma maior área onde o fundo pode fazer regeneração urbana e fá-la muito mais rapidamente que a Câmara Municipal”, disse Ana Abrunhosa.
Questionada sobre a possibilidade de o município avançar com operações de aumento de capital para dotar o fundo de maior capacidade de investimento, Ana Abrunhosa disse que haverá outras possibilidades como o recurso ao endividamento e instrumentos financeiros usados para reabilitação urbana.
Já sobre até que ponto é que os apartamentos construídos pelo fundo serão vendidos a preços acessíveis, Ana Abrunhosa referiu que o município, ao deter a maioria do Coimbra Viva, consegue assegurar que o fundo pratica valores abaixo do preço de mercado, sublinhando que foi o que tem acontecido nos imóveis reabilitados até agora.
De acordo com o relatório e contas do Coimbra Viva, o valor líquido do fundo quase que duplicou entre 2023 (3,8 milhões de euros) e 2025 (7,8 milhões de euros).
Em 2025, o fundo registou um lucro de 447 mil euros, depois de um prejuízo de 114 mil euros em 2024.
O fundo tem como participantes institucionais a Câmara de Coimbra e o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), e é gerido pela sociedade privada FundBox, permitindo também a participação de investidores privados e detentores de imóveis.
