O município deve comprar o Cabo Mondego?
Já em setembro de 2022, há quase 4 anos atrás, que o Município da Figueira da Foz acordou em adquirir o Cabo Mondego pela quantia de 2,1 milhões de euros, depois de ter tido a anuência do Partido Socialista que na altura estava na oposição. Desconheço a evolução do negócio desde essa altura.
O que sei é que o Cabo Mondego é uma área de enorme interesse geológico, relevante para a história geológica de Portugal e por isso foi classificado como monumento natural e constitui por isso uma área protegida.
Dizem os entendidos que é o melhor local do mundo para estudar rochas com cerca de 170 milhões de anos e daí a sua também importância internacional.
A indústria da cal estabeleceu-se ali no ano de 1802, no início da Revolução Industrial, a de cimento em 1875 e a partir daí foi sede de muitas outras indústrias.
Acontece que no local existem diversos edifícios muito bem localizados. O Cabo Mondego pode servir para a instalação de diversos projectos de ordem científica, cultural, educativa (museus e centros de investigação), hoteleiros e de restauração. Todas estas propostas darão mais vida e projecção à cidade, dado o seu extraordinário enquadramento paisagístico.
As condicionantes decorrentes da sua localização e do seu estatuto jurídico, lembram porém que qualquer aquisição deve ser precedida de uma negociação com o poder central para se saber exactamente o que se pode fazer no local. Comprar o Cabo Mondego para ficar depois ao abandono por vários anos, por causa dos impedimentos dos departamentos nacionais, é de evitar.
