Seguro apela ao aumento da leitura e defende reforço da proteção dos autores
Chefe de Estado visitou hoje a Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira | Fotografia: DR
O Presidente da República António José Seguro apelou hoje ao aumento dos índices da leitura no país e defendeu o reforço da proteção dos autores.
“Não há livro sem autores. É preciso nós preservarmos os autores para que continuemos a ter livros. E por isso a minha mensagem neste dia é muito simples. Leiam, leiam, leiam. Nunca desistam de ler”, disse António José Seguro.
O chefe de Estado falava no final de uma visita à Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, no âmbito do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.
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Num discurso sem direito a perguntas dos jornalistas, Seguro defendeu o reforço dos mecanismos de proteção dos autores, adiantando que, sem esta proteção, “desvalorizamos obras e autores, que são os fundamentos” da cultura e da tradição do país.
O Presidente da República alertou ainda que pode vir a instalar-se uma crise na leitura, com a multiplicidade de recursos tecnológicos existentes, defendendo a necessidade de celebrar “um compromisso sério para o aumento dos índices de leitura em todo o território nacional, a começar naturalmente pela escola e pelo meio familiar”.
“Hoje o acesso à cultura é indispensável e é importante que ele seja um acesso o mais simples possível, o mais natural possível, porque o encontro com a cultura é um encontro que marca, marca para sempre”, referiu.
Disse ainda que é preciso que se volte a ler ao longo da vida, alegando que os livros aproximam as pessoas: “Precisamos que se volte a ler ao longo da vida para compreendermos os outros e para nos compreendermos a nós próprios”.
Durante a visita à Biblioteca da Feira, o chefe de Estado recebeu das mãos do presidente da Câmara o cartão de leitor com n.º 46126, que usou para requisitar um livro de poesia de Carlos Drummond de Andrade, “Claro Enigma”.
Seguro teve ainda tempo para falar com leitores e responder a perguntas de crianças, afirmando que estava a gostar muito de ser Presidente, mas confessou que gostava mais de contactar com as pessoas.
À pergunta de uma criança, respondeu que a maior dificuldade do Presidente é não ter poder executivo.
“O Governo é que tem esse poder e às vezes o Presidente quer muito, mas não é ele que pode fazer as coisas. Tem que influenciar, sensibilizar, juntar pessoas e vontades para que as coisas aconteçam, mas o Presidente da República tem um papel muito importante que é a palavra”, acrescentou.
Seguro explicou ainda que decidiu visitar esta biblioteca porque “é uma expressão daquilo que o poder local pode fazer, a nível nacional, pela cultura e pela convivência pacífica entre seres humanos”.
A Biblioteca de Santa Maria da Feira foi a biblioteca que, em 2024, mais empréstimos de livros fez e registou mais utilizadores ativos – cerca de 30% da população deste concelho.
Numa nota publicada no sítio oficial da Presidência da República, assinalando o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, Seguro defendeu também a importância da escola para a criação de novos leitores, saudando por isso os professores, bem como as famílias.
“Neste dia, o Presidente da República saúda os leitores, os autores e os profissionais ligados ao mundo do livro: editores, livreiros, bibliotecários, tradutores, programadores culturais ou responsáveis pelas políticas públicas da leitura, mas também, de uma forma especial, as famílias e os professores – porque a família e a escola são dois dos lugares decisivos para a criação de novos leitores, de que o nosso país necessita”, lê-se.
António José Seguro escreve que, “na verdade, foram o livro e a leitura – bem como a difusão da palavra impressa – que permitiram e criaram as democracias modernas, os direitos humanos, a liberdade e a tolerância política e religiosa, a transmissão da informação e do pensamento, o desenvolvimento das ciências e do conhecimento em geral”.
“À centralidade do livro na nossa cultura, junta-se também a celebração do direito de autor, o que significa mencionar a criatividade, a liberdade e a proteção das obras e dos seus autores. Numa época em que se acelera o inevitável recurso à Inteligência Artificial, o Presidente da República sublinha a necessidade de reforçar os mecanismos de proteção de ambos”, afirma o chefe de Estado.

