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Astronomia de fim de ano

18 de dezembro de 2025 às 11 h13

Aproxima-se o fim do ano e alguns eventos da esfera humana que estão intimamente relacionados com a Astronomia. Em concreto, estou a pensar no fim do ano, no solstício de Inverno, e no Natal.

A Terra tem dois tipos de movimento muito importantes para as nossas vidas. O primeiro é a rotação da Terra em torno de si própria, que demora um dia. Imagine uma laranja atravessada de pipo a pipo por um pauzinho de espetada. Se pegarmos no pauzinho e rodarmos a laranja temos um modelo da situação. O pauzinho é o eixo de rotação e a laranja é a Terra. Os pipos da laranja são os pólos sul e norte, e ao longo da barriga da laranja temos o equador separando o hemisfério sul do norte. O segundo movimento da Terra é o percorrer da sua órbita em torno do Sol, o que demora um ano. Neste caso colocamos uma bola de futebol no meio da sala para fazer de Sol, e movemos a Terra (laranja) ao longo de um círculo em torno da bola, sempre rodando o pauzinho para fazer girar a Terra.

Um detalhe importante é que o eixo da Terra (o pauzinho) não é exactamente vertical. Tem uma pequena inclinação que faz com que ao longo do ano haja um período em que o hemisfério norte passa mais tempo à luz do Sol (verão) e um período em que o hemisfério norte passa mais tempo às escuras (inverno). O desenho ajuda a perceber a situação, mostrando o Sol no meio e a Terra em dois momentos diametralmente opostos da sua órbita, os solstícios de verão e inverno.
No solstício de Inverno, que este acontece no Domingo, 21 de Dezembro, às 15:03  de Portugal, o eixo da Terra está orientado de maneira a termos o dia mais curto do ano, e consequentemente a noite mais longa. Seis meses mais tarde temos o oposto no solstício de Verão.

Agora vejamos o fim de ano, de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro. Aqui não acontece nada de especial em termos astronómicos. A única coisa interessante é que a Terra volta ao mesmo ponto da sua órbita nesse momento, mas poderíamos festejar a passagem de mais um ano noutro dia qualquer. Por exemplo, nos aniversários de cada um de nós a Terra volta ao mesmo sítio da órbita onde estava quando nascemos. No calendário chinês o início do ano celebra-se em finais de Janeiro, princípio de Fevereiro, e no calendário persa o ano começa em Março.

E o Natal? Ora esse é que não tem mesmo nada a ver com a astronomia. É uma festa baseada em cultura e religião que nem sequer é festejada por toda a gente do mundo. Estima-se que só cerca de 45% dos mais de 8 mil milhões de pessoas na Terra festejam o Natal. É possível que tenha havido uma “estrela de Natal”, a tal que se diz que guiou os reis magos. É possível que perto do ano zero tenha ocorrido um fenómeno astronómico que “colocou” um objecto brilhante no céu, tal como uma conjunção dos planetas Júpiter e Vénus, a visita de um cometa, ou a explosão de uma estrela. Na prática é como diz o poeta: “O Natal é quando um homem quiser”, que devemos generalizar para “quando uma pessoa quiser!”

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