Opinião: Covid 19 – tenha medo, vacine-se
Estamos a atingir o ponto de viragem na luta contra este vírus que nos apoquentou no último ano e meio. Conforme afirmou ainda há dias o Vice-Almirante Gouveia e Melo, coordenador do nosso plano de vacinação, tarefa que tem desempenhado com notável sucesso, a vacina é a nossa grande, quiçá única, arma contra o ‘bicho’. Para isso temos que chegar aos tais 70%, para uns, 85%, para outros, de vacinação coletiva para atingirmos a chamada imunidade de grupo.
As vacinas que temos tido à nossa disposição, todas aprovadas pela agência europeia do medicamento e pela nossa própria agência, o Infarmed, têm mostrado uma eficácia bastante grande contra o vírus, especialmente no que diz respeito à diminuição da mortalidade. Sabe-se que não evita por completo as infeções, mas estas são agora aparentemente muito mais ligeiras e menos mortíferas. Disso são exemplos claros alguns surtos que ainda se vão registando, sobretudo em lares de terceira idade, mas com uma mortalidade muitíssimo mais baixa do que a que se tinha verificado nas vagas anteriores.
Naturalmente, para que tal desiderato se possa atingir, temos, TODOS, que nos vacinarmos. Temos informação de que, nas últimas semanas, muitos não responderam à chamada, especialmente entre os mais novos, precisamente aqueles que são agora mais suscetíveis de se infetar (e de transmitir a infeção aos outros) e que também podem morrer desta doença. Nesta guerra não há lugar para considerações de carácter individual. Algumas regiões do mundo onde a taxa de rejeição da vacinação é mais elevada são precisamente aquelas onde se regista a maior incidência de infeções e as unidades de cuidados intensivos estão sobrelotadas, tal como nos aconteceu na última vaga, quando estávamos longe de atingir a taxa de vacinação que temos hoje.
A nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros. A nossa proteção está intimamente ligada à dos outros e vice-versa. É evidente que estamos próximos de ganhar a guerra, mas só o poderemos conseguir se ganharmos a última batalha. Um dos aspetos que tem vindo a discussão nos últimos dias é a questão da obrigatoriedade de vacinação das pessoas, especialmente dos profissionais de saúde e auxiliares, que lidam com os indivíduos mais suscetíveis, especialmente os idosos institucionalizados, e os doentes que recorrem às unidades de saúde e/ou estão nelas internados. Estou, como muitos outros, convicto da necessidade de obrigatoriedade da vacinação destes profissionais.
Naturalmente, aceito que cada um mantenha o direito à sua liberdade individual para o não fazer, mas nessas condições devem afastar-se do contacto com os mais vulneráveis. Não há aqui lugar para hesitações. Temos outros casos de outras vacinas, como a antidiftérica e antitetânica, que foram consideradas obrigatórias. Não entendo porque se está à espera de o fazer também para esta. Não creio que a constituição no-lo impeça, os decisores políticos devem assumir essa responsabilidade. Alguns países já o fizeram. Em Itália a obrigatoriedade já vigora desde abril, ao abrigo de um enquadramento legal de emergência. Entretanto, o Reino Unido, França e Grécia seguiram-lhe o exemplo. No caso francês, todos os profissionais que trabalham com pessoas vulneráveis em hospitais e lares terão de se vacinar até 15 de setembro, arriscando os que o não fizerem a ser suspensos sem direito a remuneração. A Califórnia e a cidade de Nova Iorque passaram a exigir a vacinação contra a covid-19 a todos os funcionários públicos. A disposição abrange, ainda, os profissionais de saúde do sector privado (Expresso, 6/8/2021 ).
Evidentemente, sabemos que não há nada que seja 100% seguro e, portanto, poderá haver algumas complicações, mas a evidência é já clara de que o benefício em muito supera o risco. Por outro lado, temos conhecimento de alguns casos no mundo de indivíduos abertamente ativos no combate contra a vacinação, que foram atingidos pela doença e se arrependeram da sua teimosia anterior. Infelizmente, alguns não tiveram tempo para isso. O vírus foi mais forte.
Não deixe que isso lhe aconteça a si. Vacine-se.



Até ver, as alternativas não são ainda existentes.
Pergunte-se também ao ISBE (INSTITUTO DE SAÚDE BASEADA NA EVIDÊNCIA).
No ISBE aprecia-se muito a heurística Cochrane da revisão dos artigos científicos.
Muitos científicos apreciam, infelizmente, a escrita de falsos dados científicos, ainda mais do que a robustez da heurística de revisão sistemática da Cochrane.
Não se podem implantar, por questões de ordem ética, chips de vigilância de honestidade (CVH) no cérebro de todos os científicos…
Até ver, a vacinação parece ser a melhor alternativa, com as devidas ressalvas e necessárias avaliações clínicas. A argumentação aduzida é que não é a melhor, a mais forte, Sr. Manuel Antunes. Vamos ver se alguém chega ao entendimento de porque não é forte a argumentação.
Pensar bem, competentemente, é também uma Arte. Uma Arte que deveria ser ensinada, reforçada, no ensino universal. 🙂
Alguém me sabe informar sobre quando disponível a vacina Sinovac para os Portugueses?
Obrigada
(sem "teorias da conspiração", é só curiosidade)