Opinião – Presente e futuro da Académica OAF

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A maior riqueza de Coimbra é, sem dúvida, a sua Universidade, as suas instituições e as suas tradições. Dentre estas, o futebol da Associação Académica de Coimbra (AAC), atualmente representado pelo Organismo Autónomo de Futebol (AAC-OAF) tem sido o maior emblema da AAC, da Universidade, da cidade e até da região, pela enorme popularidade e mediatismo deste desporto. Para além disso, o OAF é o cimento que une as diversas gerações que passaram por Coimbra. A Briosa, com um historial riquíssimo, conquistou um lugar de grande destaque no panorama desportivo nacional. Foi graças à riqueza do seu currículo desportivo e à sua força que a Académica-futebol resistiu às crises de 1962, de 1969 e de 1974, esta última provocada por alguns políticos esquerdistas travestidos de estudantes que, sob o pretexto de que a secção de futebol da AAC era fascista e profissional, a extinguiram. Queriam acabar com a Académica mas não conseguiram. Sócio da Briosa desde 1957 e dirigente da Secção de Futebol em 1968/69/70 estou à vontade para recordar este triste golpe de 1974 perpetrado pela Direção Geral (DG) da AAC da altura porque vivi isso tudo. É bom que os sócios e adeptos da Académica, aqueles que lutam e sofrem pala Briosa, saibam que, com raríssimas exceções, nas DGs não temos amigos. As sucessivas DGs da AAC que conheci só revelaram algum interesse pela Académica-futebol para retirarem proveitos políticos ou económicos. De resto, nunca quiseram saber do futebol e pelo contrário, não poucas vezes nos hostilizaram e criaram problemas. A interferência da atual DG da AAC, liderada pelo estudante Daniel Azenha (DA), sobre a questão da SAD do OAF, não veio ajudar nada a resolução do difícil problema, que passa pela sustentabilidade financeira da Briosa, e, antes pelo contrário, vem complicar e prejudicar seriamente os interesses do OAF. Evidentemente que DA tem todo o direito a ter sua opinião, mas não nos termos em que o faz, usando a chantagem do emblema para querer impor a sua vontade. Isto é, ética e legalmente, inaceitável, tendo em atenção o cargo que ocupa. A História do emblema da AAC, que DA deve conhecer, não deixa dúvidas já que este foi concebido pelo Dr. Fernando Pimentel expressamente para o futebol da Académica. Este é um facto incontroverso e relevantíssimo que não se pode ignorar sob pena de estarmos a violar a História. A este propósito é bom lembrar o que Churchill nos ensinou: “sem um conhecimento da história ninguém compreenderá os problemas do nosso tempo”. Em face das posições assumidas por DA, pergunta-se: se a SAD que for criada não corresponder à sua vontade proporá a extinção do OAF, à semelhança do que aconteceu em 1974? Quem deve decidir esta questão da SAD são os sócios do OAF, após serem completamente informados sobre todos os aspetos e implicações do problema e as consequências de a aprovarem ou não. A questão é muito simples, sem apoios da Câmara, da Universidade, sem mecenas e sem um contributo material significativo dos sócios, como manter a Briosa ao mais alto nível? Os sócios do OAF estão no direito de discordarem da SAD mas então deverão apresentar soluções alternativas para que a Briosa possa regressar ao lugar que lhe pertence no futebol nacional. Os academistas devem pôr acima das emoções a razão, para encontrar um futuro promissor para esta instituição secular, que no caso de ficar reduzida a um mero nome e símbolo, deixará Coimbra, a Universidade e todos nós mais pobres.

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