Companhia Marimbondo celebra 25 anos de teatro e circo

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MARIMBONDO

A Companhia Marimbondo, da Lousã, vai comemorar 25 anos de atividade nas áreas do teatro, circo e animação com um programa que inclui uma gala, em junho, com a participação de vários artistas, em Lisboa.

Desde a sua fundação, em 1990, quando se instalou na aldeia de Vale de Sancho, concelho da Lousã, o grupo “viveu apenas das receitas” dos espetáculos, afirma à agência Lusa o diretor da Marimbondo, Detlef Schafft.

Este alemão de 60 anos, 32 dos quais passados em Portugal, realça que a companhia “nunca pediu qualquer subsídio ao Estado”, mesmo quando a atual crise condiciona a produção cultural e impõe “maiores incertezas” na programação e nas receitas.

A atriz Eva Cabral e os músicos João Balão e Renato Correia são alguns dos membros residentes da companhia, além de Detlef, que tirou o curso de educador de infância, na antiga Alemanha Federal, antes de entrar em Portugal, dedicando-se para sempre ao circo e outras artes.

Quando é necessário, Det – diminutivo para amigos – recorre a mão-de-obra ocasional, profissionais que colaboram regularmente com o grupo da Lousã, no distrito de Coimbra.

Desde o início, “foram pelo menos 28 artistas de nove países que acompanharam os vários projetos”, integrando muitos deles a comunidade, na quinta onde a associação construiu o Teatrinho Marimbondo.

“Tivemos a possibilidade de nos realizarmos aqui, com muitas mudanças trazidas pelas pessoas nestes 25 anos”, recorda Detlef Schafft, enquanto ajeita o nariz vermelho e ata os longos sapatos de palhaço.

Gosta de mencionar a comunidade cultural por si dirigida como “casa” e revela que no passado, na Alemanha ainda dividida pela Guerra Fria, partilhou habitações com outros jovens, como acontece ainda em Portugal com as repúblicas de estudantes de Coimbra.

“Havia muita curiosidade – e ainda há – de experimentarmos várias coisas. Há pouco tempo dedicámo-nos mais ao teatro de bonecos animados, que antigamente quase não existia aqui em casa”, refere.

Os Marimbondo são “um grupo sem subsídios”, que resultou de “uma aventura nem sempre fácil, maravilhosa, com muita criatividade de muita gente”, segundo Detlef Schafft.

“O ninho é na Quinta Marimbondo, que foi abrigo para muitos artistas e onde tentámos acolher as pessoas de uma forma humana”, sublinha.

Eva Cabral possui o curso de teatro, realizado na Escola Superior de Teatro e Cinema, em Lisboa, e mora na quinta desde 2000.

“Há 15 anos, desembarquei aqui, nesta família divertida que faz de tudo um pouco”, conta a atriz à Lusa, numa varanda de onde se escutam melros, rolas e outras aves.

A companhia “tem um trabalho único na sua miscelânea de técnicas” e depois “acaba por ter um estilo muito próprio”, acrescenta Eva.

O grupo vai assinalar 25 anos de “novo circo”, teatro infantil e para adultos, animação de rua, magia cómica, orquestra satírica, narizes de palhaço, sons de realejo e bolas de sabão.

“Continuo a sonhar numa bola de sabão: ela é redonda, ela flutua e ela é colorida. Mas, quando se tenta agarrar, ela vai desaparecer”, graceja Det.

Em 2006, na Bélgica, o grupo venceu o Festival Internacional de Marionetas. Espanha, Brasil, Áustria, Alemanha, Finlândia, Eslováquia e Holanda são outros países onde já se apresentou.

No dia 06 de junho, promove no Teatro da Trindade, em Lisboa, a Gala de Novo-Circo, com a participação de vários artistas e grupos.

Em outubro, organizará o 5.º Festival Marionetas ao Centro, na Lousã.

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