Candidatura de Coimbra à UNESCO decidida esta semana no Camboja

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O Comité do Património Mundial da UNESCO decide sobre a inscrição da Universidade de Coimbra (UC) na lista de Património da Humanidade, durante a sua próxima reunião, que decorre no Camboja entre segunda-feira e 26 de junho.

“O parecer do ICOMOS, que é o ‘braço técnico’ da UNESCO, é completamente inequívoco, reconhece o excecional valor universal do bem que se está a candidatar” –‘Universidade de Coimbra, Alta e Sofia’ –, à classificação de Património Mundial, sublinha, à agência Lusa, o reitor da UC, João Gabriel Silva.

A consultora da UNESCO responsável pelas avaliações técnicas e pela elaboração do parecer sobre as candidaturas a Património da Humanidade “levanta algumas dúvidas” em relação ao “conjunto de mecanismos que permitirá proteger o bem, caso ele seja classificado”, mas, sublinha o reitor, “a expectativa é que essas dúvidas, nesse aspeto muito particular”, sejam completamente esclarecidas até à data da decisão.

Em Coimbra há, de facto, “alguns erros urbanísticos”, reconhece, em declarações à Lusa, o presidente da Câmara, João Paulo Barbosa de Melo, compreendendo as dúvidas suscitadas pelos especialistas do ICOMOS.

“Cumpre-nos demonstrar que o tempo das aberrações urbanísticas, que caracterizam, de algum modo, infelizmente, Portugal inteiro, terminou e que a UNESCO pode ter confiança nos responsáveis locais e nacionais” e, no caso de Coimbra, que os bens a classificar e toda a área envolvente “vão ser totalmente protegidos e acarinhados”, sustenta o autarca.

A candidatura da Alta universitária e da Rua da Sofia, na Baixa da cidade, a Património da Humanidade abrange uma área total de 35,5 hectares e uma zona de proteção com 81,5 hectares.

Os edifícios a submeter à apreciação da UNESCO – o conjunto de “pedras com ideias lá dentro” –, dividem-se, de algum modo, em quatro núcleos: colégios da Rua da Sofia (“onde a história da Universidade começou”), Pátio das Escolas (“o coração da Universidade de Coimbra, com sedimentos moçárabe, memórias da primeira dinastia portuguesa e uma das bibliotecas mais belas do mundo”), Edifícios da reforma Pombalina (“marcas da revolução do conhecimento no século XVIII) e Complexo do Estado Novo (“face da mudança da Alta de Coimbra”).

Na Baixa, além de sete colégios da Rua da Sofia, a candidatura inclui o Mosteiro de Santa Cruz, o Palácio de Sub-Ripas e o Antigo Colégio das Artes, no Pátio da Inquisição.

Na Alta, além do Pátio das Escolas, com a Biblioteca Joanina, a Torre e a Via Latina, o projeto integra sete colégios, a Imprensa da Universidade, o Laboratório Químico, as casas dos Melos e das Caldeiras, o conjunto edificado pelo Estado Novo (Biblioteca Geral, Arquivo da Universidade, faculdades de medicina e de Letras e departamentos de Física, de Química e de Matemática), o Jardim Botânico e a Sé Velha.

Em relação ao património imaterial, a candidatura também faz “a ponte entre o passado e o futuro”, como sublinha a documentação sobre o projeto, entretanto publicada, recordando que a UC é o “berço da língua portuguesa”, é “conhecimento e sua difusão”, tradições académicas (da instituição e dos seus alunos), Canção de Coimbra e repúblicas de estudantes.

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