Congresso organizado pelo GAAC defendeu classificação da Alta há 26 anos

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Mário Nunes

A classificação da Alta de Coimbra como Património da Humanidade foi defendida há 26 anos, num congresso em que os participantes alertaram para o “perigo de desaparecimento” deste património.

Durante o I Encontro sobre a Alta de Coimbra, organizado pelo Grupo de Arqueologia e Arte do Centro (GAAC), o seu presidente, Mário Nunes, foi um entusiasta da ideia de avançar com uma candidatura à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

“A Alta de Coimbra é um património de inegável valor que corre o risco de desaparecimento, face à insensibilidade do progresso, à ignorância de muitos e ao interesse económico de outros”, afirmou Mário Nunes numa saudação aos 350 congressistas, na abertura dos trabalhos, em outubro de 1987.

Numa intervenção reivindicativa, crítica e patriótica, o presidente do GAAC e da comissão executiva do encontro disse que os presentes, “cheios de vigor lusitano”, iriam mostrar “que Coimbra possui um valioso tesouro que urge preservar”.

Vinte e seis anos depois, congratula-se com a possibilidade de o Comité do Património Mundial da UNESCO aprovar a inclusão do conjunto Universidade de Coimbra (UC) – Alta e Sofia na lista de Património da Humanidade, numa reunião a decorrer no Camboja, entre hoje e 26 de junho.

Mário Nunes afirma à agência Lusa que a Alta registou “uma evolução muito positiva” na preservação do património, embora admita que as entidades com responsabilidades “pudessem ter ido mais longe”, desde 1987.

“Só no reitorado de Seabra Santos (que antecedeu o atual reitor da UC, João Gabriel Silva) é que houve um olhar ativo para a situação”, lamenta, frisando que os cidadãos, em geral, estão hoje mais esclarecidos quanto ao valor deste património.

O I Encontro sobre a Alta “provocou uma tomada de consciência da cidade”, enfatiza o ex-vereador da Cultura.

“Há muito tempo que a Universidade devia ter avançado”, defende, por seu turno, Reis Torgal, que participou na elaboração da candidatura da Universidade de Coimbra.

Criticando “uma espécie de vergonha e de medo” que têm impedido a cidade “de se afirmar”, realça que a Universidade de Coimbra, com 723 anos, “tem um prestígio, também de atualidade, que não têm as outras universidades” portuguesas.

Mário Nunes destaca que o primeiro congresso da Alta originou “uma movimentação das instituições” para a regeneração e revitalização da zona.

Nasceram depois o Grupo Folclórico da Casa do Pessoal da UC, o Gabinete para o Centro Histórico da Câmara Municipal e a Associação para o Desenvolvimento e Defesa da Alta de Coimbra.

“É uma honra habitar na Alta e essa situação deverá orgulhar os seus residentes”, afirmou no encontro, em 1987, o urbanista Costa Lobo, nascido na Alta, que morreu em maio.

No ano seguinte, o GAAC publicou as atas do encontro em livro.

A Alta “é um manancial de riquezas, é um património de Coimbra, de Portugal e do mundo”, insistiu Mário Nunes, no encerramento.

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